Exportação de frutas cresce 22% este ano

Fonte: Valor Econômico (29 de junho de 2021)


 
Na contramão das expectativas, a pandemia de covid-19 colaborou com desempenho da fruticultura. As exportações de frutas in natura e processadas do Brasil cresceram 22% no primeiro quadrimestre deste ano, para 349.778 toneladas, em comparação com o mesmo período de 2020. Em receita, o aumento ficou em 32%, com vendas de US$ 286,3 milhões. O desempenho segue a trajetória de alta de 2020, com avanço de 6% no volume (1,03 bilhão de toneladas) e 3% no valor (US$ 875,9 milhões) em relação a 2019. A União Europeia é o principal mercado, com 58% do volume vendido, com destaque a países com Espanha, Alemanha e Portugal. O Reino Unido ocupa o segundo lugar do ranking, com fatia de 16%, seguido pelos Estados Unidos (15%).
 
“No começo, temíamos o impacto nas exportações, mas a demanda acabou crescendo por conta da maior procura por alimentos saudáveis e pelo fato de haver mais gente comendo em casa”, diz Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
 
A laranja – produto do qual o Brasil é líder mundial em exportações – registrou o maior aumento do quadrimestre, de 921%, para 3 mil toneladas, com receita de US$ 667 mil. Segundo Coelho, a grande variação é resultante do fraco e atípico desempenho no primeiro quadrimestre de 2020.
 
Outro destaque é a uva, com avanço de 93%, para 10,7 mil toneladas, com exportações de US$ 23,3 milhões no quadrimestre. A alta é sobretudo resultado das vendas para os Estados Unidos. “Como chuvas fortes prejudicaram a produção chilena, grande fornecedora do mercado americano, os Estados Unidos correram atrás do Brasil”, diz Coelho.
 
Para 2021, a meta da Abrafrutas é atingir US$ 1 bilhão de dólares em exportações – 14% acima do registrado em 2020. “Somos o terceiro produtor mundial de frutas, mas apenas o 23º exportador. Temos muito espaço para crescer”, afirma o presidente da entidade. Para os próximos anos, ele projeta aumento de 40% no volume das vendas externas – mesmo percentual registrado entre 2011 e 2020.
 
Entre os produtores que apostam na expansão está Paulo Dantas, sócio da Agrodan, a maior exportadora de mangas do Brasil, com sete fazendas em Pernambuco e na Bahia. No ano passado, 95% do faturamento de R$ 130 milhões veio da exportação de 28 mil toneladas da fruta. “Para 2021 prevemos crescimento de 15% no volume exportado e nos próximos cinco anos queremos ampliar a área cultivada de 1.300 para 2.000 hectares”, afirma.
 
Mas nem sempre foi assim. Dantas começou a empresa do zero há 34 anos na fazenda então não utilizada da família. “Quando deixei a estabilidade do emprego de engenheiro do setor público para plantar manga, todo mundo me achou maluco, até mesmo minha mãe”, conta. “Mas não me arrependo”, diz o produtor que hoje vende para países como Portugal, Espanha, Alemanha, Holanda, Suíça, Itália e Áustria.
 
Na sede da empresa, em Belém do São Francisco, Pernambuco, uma máquina fotografa 80 mil frutas por hora, com 20 imagens de cada unidade. “Com base nesse material, analisamos a cor e os defeitos na aparência para selecionar as mangas conforme o perfil dos clientes.”
 
Como nesse mercado beleza é fundamental, as mangas mais atraentes são reservadas a compradores dispostos a pagar mais.
 
As fazendas da Agrodan também monitoram a irrigação das frutas para evitar desperdício de água. O sistema utiliza um sensor que capta a dilatação de até 0,06 mm dos troncos, que se expandem ou retraem conforme a quantidade de água absorvida. Os dados são enviados via satélite para a Phytech, empresa fornecedora do equipamento em Israel. “Com base nas informações, eles nos informam se as árvores estão sendo irrigadas demais ou de menos”, diz Dantas.
 
Em busca de novas soluções tecnológicas, a empresa lançou no ano passado uma competição entre startups, o Desafio Agrodan Tech, com 140 participantes. Dali saiu o equipamento, em fase de testes, que faz a contagem eletrônica e identificação das espécies de moscas capturadas por armadilhas com feromônios espalhadas pelas plantações. Os dados serão enviados por um transmissor para um receptor na sede da fazenda. “Assim poderemos contar e identificar as moscas a distância e não manualmente, como é feito nas armadilhas atuais”, diz Dantas. Tanto no sistema novo como no manual, a contagem é feita para evitar pulverizações desnecessárias.