Praticagem: Planejamento Portuário ganha livro com recomendações técnicas

Fonte: Praticagem do Brasil (19 de julho de 2022)

Foto: Praticagem do Brasil

 

O Tribunal Marítimo, no Rio de Janeiro, foi palco, na segunda-feira (11/7), do lançamento do livro Planejamento Portuário — Recomendações para Acessos Náuticos, uma contribuição de 25 autores com recomendações para projetos portuários ou para alterações em instalações existentes. A coordenação é dos professores Edson Mesquita dos Santos, Sergio H. Sphaier, do consultor naval Mario Calixto e do prático Marcelo Cajaty. A edição coube à Praticagem do Brasil.

 

A publicação é fruto do árduo trabalho da comissão que elaborou a segunda edição da norma da ABNT sobre planejamento portuário (ABNT NBR 13246:2017), cancelada meses depois sem explicação. Entre os autores, estão projetistas, pesquisadores, engenheiros, aquaviários, armadores, portuários, práticos e representantes de terminais. Eles se basearam em documentos da Associação Náutica Internacional (Pianc), no manual do Corpo de Engenheiros do Exército Americano e em recomendações de obras marítimas da Espanha.

 

– Diante da falta de uma diretriz nacional sobre o assunto, este livro representa uma enorme contribuição para a competitividade do país. Isso porque serve de norte para os que vão formular os projetos básicos de engenharia. E são justamente as premissas nessa fase que determinam a segurança e eficiência de um empreendimento. Mas não se trata apenas de termos um guia para os novos projetos, mas também para revisar parâmetros operacionais de segurança e modernizar instalações existentes. A pressão mundial pela entrada de navios mais modernos e cada vez maiores é crescente e não podemos deixar nossa economia para trás – disse o presidente da Praticagem do Brasil, prático Ricardo Falcão.

 

Um dos autores do livro, o vice-presidente da Federação Nacional dos Práticos, prático Marcelo Cajaty, lembrou do longo histórico do projeto:

 

– Em 2003, um documento escrito pela praticagem à Diretoria de Portos e Costas da Marinha já demonstrava a preocupação com recomendações técnicas para dimensionamento de canais de acesso. Foi uma semente plantada há quase 20 anos, em que a praticagem buscava uma orientação a seguir. E coincidiu com o fim dessa história, que é a edição desse livro.

 

Cajaty convidou para discursar outro autor da obra, o diretor executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), Luís Fernando Resano, que foi quem teve a iniciativa de sugerir a revisão da norma da ABNT que deu origem ao livro. O comandante Resano destacou a importância do planejamento nos projetos.

 

– Precisamos de portos no padrão e não fazer uma simulação depois para saber se dá para entrar com um navio maior. Um porto começa pelo tipo de navio que vai entrar e não o contrário. Precisamos amadurecer – afirmou o diretor, que rendeu homenagem ao professor Edson Mesquista, ex-secretário da comissão revisora da norma da ABNT e sempre muito criterioso com a parte técnica da obra.

 

Autor do prefácio do livro, o presidente do Tribunal Marítimo, vice-almirante Wilson Pereira de Lima Filho, ressaltou que o material também é de suma importância para guiar alterações nas instalações portuárias existentes:

 

– Como disse o comandante Resano, o ideal é que se saiba primeiro o navio que vai atracar naquele porto para depois projetá-lo e construí-lo o porto. Mas muitas vezes isso não é possível. Assim, para planejar novas instalações portuárias e seus acessos ou com o objetivo de avaliar os riscos para que um navio de dimensões maiores que as previstas adentre um porto já existente, é muito bem-vindo um compêndio acadêmico que aborde com clareza as referências internacionais vigentes sobre o planejamento portuário, especialmente as publicações da Pianc.

 

A cerimônia de lançamento foi prestigiada pela comunidade marítima. O diretor da Procuradoria Especial da Marinha, vice-almirante Barros Coutinho, foi um dos presentes, assim como o chefe do Estado-Maior do Comando do 1º Distrito Naval, contra-almirante Pedro Augusto Bittencourt Heine Filho, que representou o vice-almirante Eduardo Machado Vazquez. O diretor de Portos e Costas, vicealmirante Sergio Renato Berna Salgueirinho, enviou como representante o superintendente de Segurança do Tráfego Aquaviário, contra-almirante José Luiz Ribeiro Filho. Já o chefe do Ensino Profissional Marítimo, capitão de corveta Jerry Kenned Sabino, representou o diretor-geral de Navegação, almirante de esquadra Wladmilson Borges de Aguiar.

 

Planejamento Portuário — Recomendações para Acessos Náuticos está disponível gratuitamente para download.