Flexibilização do isolamento preocupa OMS devido à variante Delta, diz diretora
Fonte: Valor Econômico (08 de julho de 2021)
A vice-diretora geral da área de medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos da Organização Mundial da Saúde (OMS), Mariângela Simão, afirmou nesta quarta-feira (7) que, apesar do avanço da vacinação no mundo, a pandemia de covid-19 ainda está longe de terminar e não é hora de governos baixarem a guarda. O alerta, disse ela, se deve à expansão deve à expansão da chamada variante Delta do Sars-Cov-2, a qual definiu como bem mais transmissível que as demais.
A diretora participou de seminário on-line organizado pelo Centro de Relações Internacionais em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Cris/ Fiocruz) na manhã desta quarta.
A sanitarista brasileira disse serem equivocadas as iniciativas de reabertura agendadas para acontecer em países europeus nas próximas semanas, sobretudo o Reino Unido, que dariam uma “falsa sensação” de segurança devido ao avanço da vacinação. “Na Europa, com cobertura vacinal de quase 50%, houve aumento de 33% dos casos de covid-19 em uma semana” acontecer em países europeus nas próximas semanas, sobretudo o Reino Unido, que dariam uma “falsa sensação” de segurança devido ao avanço da vacinação. “Na Europa, com cobertura vacinal de quase 50%, houve aumento de 33% dos casos de covid-19 em uma semana”, disse Mariângela.
“Ainda não é momento de se baixar a guarda porque a variante Delta do Sars-Cov-2 é bastante mais transmissível que as demais. Há países em que incidência da variante Delta saltou de 24% para 78% dos casos em uma semana”, afirmou. Ela disse que esse alerta deve ser levado ainda mais a sério em lugares que têm transmissão comunitária sustentada, como é o caso do Brasil.
4 milhões de mortes
Esta semana, o mundo alcançou 4 milhões de mortes por covid-19, das quais 527 mil aconteceram no Brasil. O país vem registrando queda no número de casos e óbitos nos últimos dias, mas ainda em patamares considerados elevados pelos especialistas.
“A pandemia ainda não acabou e há medidas [de isolamento] que é preciso tomar do ponto de vista individual, independentemente do que digam o governo ou os outros. O povo está cansado, mas não se pode baixar a guarda”, repetiu.
Produção de vacinas
Mariângela destacou, ainda, que, apesar de todos os problemas relacionados à vacinação no Brasil, o país é o quarto que mais vacinou em termos absolutos, somente atrás dos Estados Unidos, Índia e China, todos produtores de insumo farmacêutico ativo (IFA). Ela atribui o fato à capacidade nacional de formulação e envasamento e, mais recentemente, à anunciada produção integral do IFA no país.
O mesmo foi dito pelo vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Krieger, que reiterou a previsão de produção do IFA nacional ainda em 2020. Ele lembrou que quase 90% das vacinas distribuídas no país — cerca de 130 milhões de doses — foram entregues pela Fiocruz e pelo Instituto Butantan, sendo somente pouco mais de 10% importadas prontas do exterior, sobretudo da Índia e Estados Unidos.
A sanitarista voltou a afirmar que a pandemia expôs a fragilidade das cadeias de produção de vacinas e medicamentos, concentradas em poucos países, e defendeu a flexibilização de patentes na área, em discussão na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Embora considere que somente licenciamentos de produção não venham a resolver o problema, ela defendeu que os governos interessados na diversificação do acesso à tecnologia aproveitem o contexto de crise para abordá-lo de maneira mais consequente. A iniciativa é historicamente liderada por Índia e África do Sul e combatida, sobretudo, por países europeus, cujas farmacêuticas dominam boa parte das tecnologias.
Hoje, segundo Mariângela, 56% da produção mundial de vacinas acontecem na Índia e 70% da matéria prima de antibióticos, por exemplo, vêm da China — concentração que se repete com relação a outros medicamentos, cuja fabricação é dominada também por países como Estados Unidos, Japão e Itália.