Produção agrícola do Brasil ganha ainda mais peso
Fonte: Valor Econômico (07 de julho de 2021)
No relatório publicado ontem, a Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que o Brasil continuará a aumentar seu papel como um dos principais fornecedores globais de alimentos, incluindo em produtos como carne bovina, e mesmo com um ritmo menor de crescimento da demanda chinesa.
A China continuará com enorme influência nos mercados agrícolas. O deficit chinês no comércio agrícola cresceu de US$ 2,6 bilhões em 2000 para US$ 86 bilhões em 2020. Para os próximos dez anos, Pequim continuará a expandir as importações, mas em ritmo menor em razão da desaceleração do crescimento da população, da saturação no consumo de algumas commodities e de ganhos de eficiência em sua própria produção.
Além disso, o mercado chinês terá concorrência mais dura na medida em que a tensão comercial diminui com os Estados Unidos. O relatório prevê que a China poderá voltar a ser o principal mercado para exportações agrícolas dos EUA.
Nesse cenário, e com o Brasil como o produtor dominante, a América Latina como um todo verá sua produção agrícola crescer 14% nos próximos dez anos. O valor líquido das exportações da região crescerá 31%, segundo o relatório – mas representa só pouco mais da metade da taxa alcançada entre 2011-2020.
Até 2030, a região continuará ampliando sua fatia no comércio das principais commodities. Poderá ter 63% das exportações mundiais de soja, 56% das exportações de açúcar, 44% de pescado, 42% de exportações de carne bovina e 33% de embarques de carne de frango.
A projeção para a produção mundial de carne bovina é de aumento de 6% (4 milhões de toneladas) nos próximos dez anos, representando 9% do aumento do consumo de carnes em geral. Frango representará mais da metade da expansão da produção mundial de carnes.
O consumo global per capita de carne bovina, que tem caído desde 2007, deve diminuir mais 5% até 2030. O relatório prevê queda de consumo inclusive nos países que mais tem preferência por essa carne, como a Argentina (-7%) e o Brasil (-6%). Na China, em contrapartida, o consumo subirá mais 8% até 2030, após alta de 35% na última década.
Produção brasileira
A produção brasileira de carne bovina deverá continuar estável, enquanto suas exportações poderão crescer 38% nos próximos dez anos, comparado a 12% no caso dos EUA. O país, que já é o maior exportador de carne de frango, passará a ser o maior exportador de carne bovina, com 22% do mercado mundial, enquanto as exportações da Índia sofrerão queda de 55% até 2030.
Para a produção brasileira de carne de frango, o aumento previsto é de 16%. Os embarques poderão crescer 26% em dez anos, acima dos 14% dos EUA. A demanda chinesa deverá diminuir 18% no período. A crescente demanda da China por carne suína, por sua vez, deverá beneficiar Brasil, Canadá, União Europeia e os EUA nos próximos anos
O Brasil continuará dominando também o mercado mundial de soja, ao lado dos EUA. A produção brasileira poderá crescer 17% e as exportações aumentarão no mesmo ritmo. Até 2030, o Brasil deverá representar 50% das exportações totais de soja. A China importa dois terços do total mundial.
O Brasil deverá manter sua posição como o maior produtor mundial de açúcar (21% do total mundial), seguido de perto pela Índia (18%). O país continuará também como principal exportador, com sua fatia passando dos atuais 39% para 43% até 2030.
As exportações brasileiras de algodão deverão crescer fortemente nos próximos anos, o que assegura o país na segunda posição, com fatia de 19% do total mundial. Os EUA seguem como principal exportador e a Índia como terceiro.
Com relação ao milho, a produção brasileira deverá representar 9% do total mundial, comparado a 22% no caso da China e 30% nos EUA. Fatias estáveis de exportações são esperadas para o Brasil, em torno de 20% do total global.