Deputado defende novo modelo de gestão para o Porto de Santana e deseja um plano macro para a logística no Amapá

Fonte: Brasil Export (04 de junho de 2020)


 
Embora seja o menor estado em área e o segundo menos populoso da região Norte, o Amapá desempenha – e pode desempenhar ainda mais – importante papel no escoamento de graneis sólidos para o transporte marítimo. O deputado federal Luiz Carlos (PSDB-AP) foi o convidado do Fórum Brasil Export desta quarta-feira, 3 de junho, para falar a executivos do setor portuário sobre as potencialidades e os desafios estabelecidos para o desenvolvimento do estado e as conexões do Amapá com o setor produtivo de outros locais do País. Ele apontou que o atual modelo de gestão do Porto de Santana não permite que a atividade deslanche e defende mudanças.
 
Uma possibilidade de ajuste é a federalização da Autoridade Portuária, hoje administrada pela municipalidade, caminho inverso do adotado por portos como Itajaí (SC). O Governo Federal, por meio do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), está implantando a concessão de terminais localizados no Porto, como o de graneis sólidos (MCP02), cujos estudos já foram protocolados no Tribunal de Contas da União (TCU). Independente do caminho a se adotar, o parlamentar afirmou que trabalha para que a criação de um hub logístico para mineração no Amapá “entre na ordem do dia” dos debates do setor. Nesse sentido, Luiz Carlos observou a importância da criação de um plano macroestratégico para todo o setor logístico do estado, com a adoção de instrumentos que fomentem o desenvolvimento do Amapá, unidade da Federação que abriga somente 16 municípios e tem a terceira menor economia do País.
 

 
Um dos mais recentes ganhos de produtividade do Porto de Santana foi possibilitar a entrada de embarcações de até 290 metros no canal de navegação – antes o limite é para navios de 203 metros. A alteração se deu a partir de um trabalho de sondagem operacional realizado pela Praticagem, cuja entidade nacional é presidida por Ricardo Falcão, presidente do Conselho do Norte Export e que também participou da videoconferência. A sondagem resolveu um antigo questionamento técnico a respeito da capacidade do canal de navegação e garantiu um acréscimo de aproximadamente 50% na capacidade de transporte das embarcações.
 
O deputado Luiz Carlos elogiou o potencial de Santana. A localização geográfica do Porto oferece uma competitiva opção ao mercado de rotas de transporte marítimo que passem pelo Canal do Panamá ou que tenham a Europa como destino. Ele citou, ainda, que pelo estado fazer fronteira com a Guiana Francesa, departamento ultramarino administrado pela França, há a possibilidade de uma conexão direta com o continente europeu, já que o território vizinho não tem um complexo portuário que possa atender a grandes embarcações. Um acordo bilateral no qual as cargas possam transitar livremente na fronteira entre as duas regiões vem sendo negociado pelo governo estadual e pode resultar na geração de emprego e de riquezas para os amapaenses.
 
(Texto: Bruno Merlin)