China sinaliza maior demanda interna com alta de importações

Fonte: Valor Econômico (09 de novembro de 2023)

Importações subiram 3% em relação ao ano anterior no mês passado, o primeiro ganho em oito meses, contrariando a previsão de consenso de uma queda

Os dados da balança comercial chinesa indicam uma recuperação inesperada da demanda interna, enquanto o mercado externo para os produtos do país custa a ganhar força.

As importações subiram 3% em relação ao ano anterior no mês passado, o primeiro ganho em oito meses, contrariando a previsão de consenso de uma queda. A China é a maior compradora do minério de ferro e da soja do Brasil, e principal destino das exportações brasileiras em geral.

Já as remessas dos produtos chineses para o exterior tiveram uma queda de 6,4%, pior do que as expectativas. O superávit comercial da China em outubro ficou em US$ 56,5 bilhões.

Os dados ressaltam o quadro misto de recuperação econômica do país. Apesar do sinal de um possível crescimento do consumo, o declínio das exportações ocorre em um mês que deveria ter sido mais favorável em relação a outubro de 2022, quando o combate rígido à pandemia no país ainda prejudicava a logística e a produção.

“As condições de exportação continuam frágeis”, disse Ding Shuang, economista-chefe para China e Norte da Ásia do Standard Chartered. “Precisaremos de mais dados reais de atividade para verificar se os dados fortes de importações indicam uma recuperação da demanda interna.”

A recuperação permanece incerta diante da baixa confiança dos consumidores e das empresas. Dados de atividade em outubro apontaram para fraqueza na indústria e serviços. E esta semana o relatório de preços ao consumidor deve mostrar deflação no mês passado.

Por outro lado, outras economias asiáticas dão alguns sinais positivos para o comércio exterior. As exportações da Coreia do Sul — vistas como um indicador da demanda global e das exportações da Ásia — subiram em outubro pela primeira vez desde o final do ano passado.

Mas no caso da China, as exportações para os EUA diminuíram 8,2% nos primeiros 10 meses em relação ao ano anterior, enquanto os embarques para a União Europeia caíram 12,6%.

O forte empenho do Banco Popular da China em apoiar o yuan também pode minar a competitividade das exportações chinesas e encorajar as importações, de acordo com Ken Cheung, estrategista-chefe de câmbio para Ásia do Mizuho Bank.

Do lado das importações, o recente estímulo fiscal para apoiar obras de infraestrutura pode levar produtores chineses a acumular estoques de matérias-primas, disse.

O volume das importações de petróleo da China aumentou 14,4% nos primeiros 10 meses do ano em relação ao ano anterior.