Reestruturada, Localfrio planeja diversificação

Fonte: Valor Econômico (10 de fevereiro de 2020)

Ao assumir a Localfrio, o presidente Thomas Rittscher fez uma grande renovação da equipe e reestruturou a dívida — Foto: Silvia Zamboni/Valor


 
A empresa de logística Localfrio, da família Vasone (antiga dona do Hospital São Luiz), planeja ampliar sua operação. Hoje especializada em terminais alfandegados, a ideia agora é verticalizar e passar a atuar em transporte de carga e distribuição ao cliente final, afirma o presidente, Thomas Rittscher.
 
“O plano é fazer uma transição para atender toda a cadeia. O mercado hoje é muito pulverizado, e há poucos grupos que oferecem soluções completas. Acreditamos que esse é o único caminho para o crescimento da companhia”, afirmou o executivo.
 

 
A Localfrio já tem terminais nos portos de Santos (SP), Itajaí (SC) e Suape (PE) – parte deles são contratos de arrendamento, outros são privados.
 
Em algumas dessas regiões, a empresa já começou a oferecer o serviço de transporte. No terminal em Suape, por exemplo, onde grande parte da carga é de equipamentos para usinas de energia eólica e solar, a companhia faz a entrega das peças importadas até o local da instalação.
 
A companhia possui 100 caminhões, mas a ideia não é ampliar a frota, nem mesmo comprar galpões para centros de distribuição. “Nosso foco será a operação, as soluções tecnológicas, e não adquirir ativos”, diz ele.
 
A expansão para os demais ramos da cadeia dependerá de projetos específicos com clientes que demandem o serviço. Atualmente há negociações em curso com potenciais parceiros, mas essa transição deverá levar alguns anos, segundo Rittscher.
 
A companhia também avalia recorrer a aquisições de empresas para acelerar o crescimento e incorporar expertise em nichos específicos da cadeia.
 
“O mercado é muito pouco concentrado, mas a logística vive de ganhos de escala. Nossa visão é que haverá uma consolidação do setor nos próximos anos”, diz.
 
Ele afirma que não há nenhuma operação em negociação neste momento, mas que eventuais compras podem ser analisadas, e que eles mesmos já chegaram a ser sondados por outros grupos. <p class=”content-text__container ” data-track-category=”Link no Texto” data-track-links=””> “O mercado é muito pouco concentrado, mas a logística vive de ganhos de escala. Nossa visão é que haverá uma consolidação do setor nos próximos anos”, diz.
 
Em 2019, a Localfrio registrou receita de R$ 313,4 milhões – abaixo dos R$ 370 milhões inicialmente projetados, por conta da frustração na retomada da economia, diz o presidente. A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 31,5 milhões.
 
O resultado representa uma retomada para a companhia, que passou por uma reestruturação nos últimos anos. Em 2017, o Ebitda do grupo era próximo a zero, e o endividamento preocupava.
 
Nesse mesmo ano, a empresa, fundada nos anos 1950 em São Paulo, iniciou um processo de profissionalização da gestão. Até então, o comando era da família Vasone – que já foi dona do Hospital São Luiz, na capital paulista, vendido em 2010 para a Rede D’Or.
 
No ano seguinte, com a chegada de Rittscher, que veio da Wilson Sons, 70% dos quadros gerenciais foram trocados, e a companhia começou a se reestruturar. Recentemente, a Localfrio fechou uma captação de R$ 100 milhões, por meio de uma emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e quitou sua dívida de curto prazo de R$ 65 milhões. Com isso, conseguiu equalizar seu endividamento e garantiu caixa para investimentos.