Ligação seca entre Santos e Guarujá merece maior debate
Fonte: Porto Gente (19 de fevereiro de 2020)
O diálogo entre as cidades da Baixada é um dos grandes desafios atuais. A metropolitanização poderia resultar em ações e soluções para o desenvolvimento regional e mudar a vida da população. O tema da ligação seca demanda maior debate entre os municípios. O projeto, tão esperado por Santos e Guarujá, poderia alavancar o crescimento das duas cidades e melhorar a vida de muita gente que reside no local, além de ampliar o potencial de negócios do Porto de Santos. Nessa entrevista à coluna Cais das Letras, Alexandre Trombelli, secretário de Desenvolvimento Econômico e Portuário de Guarujá, fala sobre a importância do projeto e dos limites que a cidade tem de intervir no processo para alavancar a obra aguardada há quase um século.

A Prefeitura de Santos vem defendendo o projeto de Santos e apoia o governador Dória, que pretende aprovar o projeto da ponte da Ecovias em fevereiro, realizando os ajustes técnicos da Codesp. O ministro da Infraestrutura defendeu em Santos um debate sobre o túnel, uma discussão mais aprofundada sobre qual a melhor forma de ligação entre as duas margens do Porto. A Prefeitura de Guarujá tem preferência pelo túnel, embora defenda que um projeto de ligação, quer seja ponte ou túnel – que saia do papel. Como fica a posição de Guarujá nesse processo? Qual o melhor projeto para a cidade? O município tem participado destes debates?A ligação seca, seja qual for, para nós é importante que saia. O melhor projeto é do túnel. Mas se não houver viabilidade para a obra, que seja realizada a ponte. Enquanto houver a discussão, torcemos para que o debate seja em torno do melhor projeto
Houve, desde a apresentação da audiência pública em Santos para discutir a ponte, um processo de manifestação pública sobre a ligação seca, a coisa ganhou corpo, foi aumentando, os projetos do túnel e da ponte foram apresentados. A Codesp se manifestou contrária à ponte. Mas, como municípios, não temos ingerência para aprovar, até porque a ligação é entre as duas margens de Santos. A última discussão foi sobre a largura dos pilares, para dar garantia de navegabilidade aos navios. A Secretaria de Logística e Transportes pegou o projeto da ponte e vai readequá-lo conforme as necessidades do Porto, e aí a Secretaria vai reapresentar o projeto à Codesp.
Como está a participação de Guarujá neste processo?
Estamos como espectadores. Assim que for apresentado o projeto da ponte, dependendo do que a Codesp manifestar e se for decidido pela ponte, solicitaremos à Ecovias as adequações necessárias na entrada de Guarujá. Será preciso requalificar todo o trajeto da ponte até a entrada da cidade, que vai receber mais veículos. Logo, é preciso pensar um projeto para a rotatória de entrada, todo o trecho da Cônego Domênico Rangoni, iluminar o trecho urbano, são trechos da ponte que precisam ser arrumados e que pertencem à concessão da Ecovias, e a ponte é uma ampliação de concessão. Só não fomos mais incisivos no projeto porque houve todo o recuo sobre o projeto com a manifestação contrária da Codesp. Torcemos para que o assunto se esgote nos primeiros meses do ano e que se decida sobre o projeto da ligação seca.
Não falta uma discussão mais metropolitana entre Santos e Guarujá sobre o projeto?
A ponte tem modelagem viável por conta do investimento privado que pode fazer ela sair do papel. Dependendo da região que se está em Santos, pegar a ponte é uma opção. O túnel vai permitir transporte realmente aos trabalhadores, a quem pega balsa, catraca, ter a demanda da mobilidade atendida. Já a ponte vai atender só à logística de caminhões, carros de passeio e ao transporte coletivo. Com a ponte o problema da balsa vai continuar existindo, a travessia pelas barcas de Itapema, catraias e ferrybolt. A ponte não liquida esse problema.
Como está a discussão entre o município de Guarujá e a Ecovias/governo do Estado sobre o tema?
Foi feita uma reunião em São Paulo, vieram técnicos da Ecovias aqui no final de novembro, depois houve uma parada para se adequar projeto, e não voltamos a conversar com a Ecovias.
Mas o governo federal sinaliza que não vai ter ponte, é uma situação esquisita, a gente não sabe mais em que acreditar. Só esperamos que os dois entes – governo federal e estadual – decidam pelo melhor projeto.
Que benefícios o túnel poderia trazer para Guarujá?
O túnel é um fomentador de desenvolvimento das duas cidades. Guarujá teria ganhos, a começar por uma travessia que se realizaria em poucos minutos, e facilitaria o acesso ao polo educacional de Santos, onde há muitas faculdades, Senac, Sesi, Senai, Fatec, e a forma como se barateia a travessia para a população é ponto positivo, ou seja, a gente teria muitos ganhos com o túnel.
Com a ponte é preciso dar uma volta enorme para se chegar a Santos. Vicente de Carvalho teria grande desenvolvimento, a gente vê que o projeto valoriza a cidade, a expansão do VLT até Guarujá, coisa que a ponte não garante. Então, Guarujá se desenvolveria muito com o túnel. A Área Continental de Santos cresceria. Guarujá não terá benefício da obra da ponte, que serão os impostos.
Quais são os próximos passos de Guarujá em relação ao tema da ligação seca?
Se aprovado o projeto da ponte, a Prefeitura vai intensificar contatos com a Ecovias e o governo para intensificar as obras da entrada da cidade, que precisam ser remodeladas para receber o grande fluxo de veículos.
Guarujá não teve um encontro grande para discutir a ligação seca, a coisa estava já definida.
Se for decidido pela ponte, vamos chamar o governo do Estado e vamos fazer uma audiência pública para ver os benefícios disso. O presidente da Codesp, Casemiro Tércio, apresentou na reunião do Conselho da Autoridade Portuária (CAP) o projeto do túnel inserido no projeto de privatização. Ele jogou para a frente a solução do túnel. Vai tentar fazer até a 2021 a privatização.