Importações de aço avançam 78% em julho, segundo Aço Brasil

Fonte: Valor Econômico (17 de agosto de 2023)

As vendas internas das siderúrgicas tiveram recuo de 8,4% na comparação com o volume comercializado um ano atrásImagem de onlyyouqj no Freepik

O mercado de aço no país continua com a demanda em baixa. Os números de julho, divulgados pelo Instituto Aço Brasil na segunda-feira (14), confirmam o cenário de retração das vendas internas das siderúrgicas — recuo de 8,4% na comparação com o volume comercializado um ano atrás.

Para complicar esse cenário, que se arrasta desde o início de 2023, as importações ganharam velocidade com a queda de preços no aço no exterior, tornando viável a compra de material na China, Coreia do Sul, Rússia, Turquia e até do Japão.

As importações tiveram expressiva alta de 78,5% no mês passado, ante um ano atrás, para 481 mil toneladas. Esse comportamento vem incomodando em demasiado as siderúrgicas do país. No acumulado do ano, o volume de importações já soma 2,69 milhões de toneladas, aumento de 48,4% sobre o mesmo período do ano passado.

Nesse cenário, empresas do país tem importado até placas, oriundas da China, Rússia, Japão e outros países. Aí se enquadram Usiminas e CSN, para complementar as produções próprias devido a reformas e problemas de alto-forno, respectivamente.

Isso explica o fato de o consumo aparente de produtos siderúrgicos ter mostrado leve alta no mês, de 0,8%, enquanto as vendas internas desabavam. O consumo é formado pelas vendas internas mais material importado. O consumo fechou em 1,98 milhão de toneladas, engordado pelo material estrangeiro.

A taxa de penetração de aço importado de diversas fontes cresceu 8 pontos percentuais desde julho de 2022, para 19,2%. No acumulado de sete meses, essa taxa de penetração de aço de fora do país ainda teve queda de 0,5%, mas com uma participação de 17%.

Nas vendas internas, segundo o Aço Brasil, verificou-se maior queda, de 13%, no comércio de aços longos — material como vergalhão, barras e perfis usados na construção civil e imobiliária e em obras de infraestrutura — em relação ao mesmo mês de 2022. No acumulado do ano, o decréscimo ficou em 8,4%.

Todavia, nos aços planos, que são usados na indústria automotiva, de máquinas e equipamentos, construção civil e bens de linha branca, a retração foi menos impactante — de 6% no mês, na mesma base comparativa. De janeiro a julho, o recuo foi de 2,8%.

Se não bastasse o enfrentamento das importações, que força a derrubar preços e queimar margens, as exportações — produtos semi-acabados (placas e tarugos) mais material laminado —, também fecharam julho em queda, de 13,8%. Janeiro a julho registram baixa de 6,2%, em 7,08 milhões de toneladas.

A produção de aço bruto, informou o Aço Brasil, também fechou em queda, de 4,7%, resultado da depressão do mercado e da reforma do alto-forno da Usiminas, que deve retornar até o final deste mês. O volume do mês ficou em 2,71 milhões de toneladas. No acumulado de sete meses, 18,61 milhões de toneladas — menos 8,6%.

Nesse ritmo, tudo indica que a produção de aço bruto das siderúrgicas neste ano ficará no máximo em 32 milhões de toneladas, marcando um segundo ano de retração.

Diante disso, a indústria do aço no Brasil viu a utilização de sua capacidade instalada, de 51 milhões de toneladas, baixar de 67% para 63,9% em julho. Na média do ano, o uso da capacidade está em 62,6%, bem abaixo do nível considerado saudável ao negócio siderúrgico — de 80% para cima.