Empatia Corporativa – Para um ambiente de trabalho mais positivo e compreensivo

Fonte: Porto e Notícias (08 de agosto de 2019)

O conceito de empatia é conhecido por todos como sendo a capacidade de colocar-se no lugar do outro. Preconiza-se a necessidade ouvir de mais, de perceber mais o estado de espírito da pessoa, observar seu semblante e postura corporal, sua fala em dado momento, para que se possa, então, promover alguma ação de contribuição por entender o que ela está vivenciando ou pelo menos tentar entender. Pelo menos assim deveria ser…
 
Só que estamos vivendo em um momento tão atribulado que não nos damos conta do outro, tendo uma atitude “ensimesmada”. Isto compromete as relações, as atividades no trabalho, a equipe e toda uma engrenagem empresarial, impactando de forma negativa nos resultados e nas pessoas.
 
Transito pelas empresas realizando diversas atividades e ouço, há longa data, reclamações do outro, Que determinada pessoa demora no atendimento, que fulano é lerdo, que beltrano não responde e-mail ou WhatsApp, eu parei de trabalhar por causa de ciclano etc. Isto compromete diretamente o clima organizacional porque vai gerando uma atmosfera nebulosa e rançosa que prejudica o andamento do trabalho. Mas ninguém para um instante para buscar informações sobre a função do outro e perguntar: Como é a rotina daquela pessoa? Qual a complexidade de seu trabalho? Qual o nível de atenção e concentração exigidos para que ela faça uma entrega excelente? Temos que levar em consideração que a empresa é interdependente e outra pessoa dará continuidade ao serviço do profissional anterior. Em algum momento, as informações vão se cruzar e haverá um fechamento na ponta, um receptor do processo. Então, é preciso desenvolver este olhar sistêmico e empático.
 
Então, para minimizar um pouco tal situação, quero ir um pouco além do conceito de empatia que reside apenas no olhar do comportamento humano. Quero propor o conceito de Empatia Corporativa.
 
Existe um método de trabalho antigo e que gosto muito chamado Job Rotation, introduzido no Brasil pelas multinacionais e utilizado, principalmente, nos cargos de Estagiário, Trainee e  Lideres que vão assumir seus postos, sejam novatos ou não. O Job Rotation (ou rotação de emprego, do inglês) é uma prática de rodízio de trabalho em que o funcionário atua em diferentes funções por um período determinado. O intuito é fazer com que o Colaborador aprenda o funcionamento de todas as áreas da empresa e passe a ter uma visão global de sua operação. Normalmente, o RH define junto aos Gestores, elabora, acompanha este cronograma e navegação pela empresa. Em algumas vezes, este programa inclui visitas às unidades do país e exterior. Após um tour geral, subtende-se que a pessoa está com uma carga de informações interessantes para ocupar a nova posição.
 
Mas, será que é preciso estar no contexto acima para fazer um Job Rotation? Esperar que alguém diga para fazer ou o RH sinalizar sobre sua necessidade? E minha resposta é: Claro que não! Cadê a proatividade, interesse e curiosidade que não devemos deixar morrer e que farão muito bem para a carreira?
 
É aí que entra o conceito de Empatia Corporativa! Vamos enriquecê-lo: Empatia é a capacidade de colocar-se no lugar do outro, buscando, inclusive, conhecer e aprender dados básicos de sua função na empresa para que haja a possibilidade de compreender suas complexidades para, assertivamente, oferecer algum tipo de contribuição e minimizar a carga de pressão, uma vez que passa a compreender melhor sua rotina diária.
 
Ao agir dessa forma, aprendendo sobre os demais os processos e procedimentos, há uma tendência a aumentar a compreensão sobre o outro, consequentemente, as relações ficarão mais saudáveis, os comentários negativos diminuirão e o ambiente organizacional ficará mais harmônico.
 
Eis algumas sugestões para que você possa colocar em prática a Empatia Corporativa:
1.   Estude o organograma de sua empresa e conheça as relações hierárquicas e funcionais.
2.   Leia os manuais de normas e procedimentos. Hoje mais fácil, pois estão registrados em uma Intranet. Caso contrário, busque os meios físicos.
3.   Converse com os Líderes dos setores e busquem informações sobre a missão funcional de cada departamento.
4.   Visite os departamentos de sua empresa e conheça um pouco seus processos e procedimentos. Você não precisa dominar o assunto da área, mas é importante ter um panorama sobre seu funcionamento.
5.   Busque saber quais os impactos de seu trabalho no setor do outro. Assim, aprenderá a consultar o seu “vizinho” antes de tomar uma decisão que de forma individual, poderá ser uma catástrofe empresarial.
6.   Faça registros ou fluxogramas para melhor absorção das informações.
7.   Programe-se para fazer um Job Rotation informal e de forma que não impacte na rotina do outro.
 
Dica de Ouro para você que decidir fazer um Job Rotation informal e por iniciativa própria:
Você ficará mais enriquecido por ter obtido mais informações sobre a empresa e sua cultura. Estará com uma visão mais ampla sobre sua operação. Entenderá mais a atuação de seus pares de trabalho. Tornar-se-á um ser mais compreensivo e menos estressado por ter se permitido entender a rotina do outro. Poderá contribuir com sugestões visando a melhoria dos processos da empresa. Passará a ter uma visão multifuncional que as empresas tanto buscam!