Brasil precisa ampliar o leque de acordos comerciais, afirma Jacyr Costa

Fonte: FIESP (06 de setembro de 2023)

Para presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp, a falta de acordos bilaterais é um entrave para exportar produtos com maior valor agregado

Com pouco mais de 10% da produção de comodities alimentares do mundo, é inegável a importância do Brasil para a segurança alimentar do planeta. Esse foi um dos temas tratados na reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp desta terça-feira (5/9).

Para o presidente do Cosag, Jacyr Costa, o agronegócio do país é muito competitivo e tem mostrado ao mundo seu valor, mas falta ampliar a atuação na diplomacia para aumentar as trocas internacionais e fazer o setor avançar ainda mais.

“Temos enorme potencial, mas o Brasil falha ao não fazer acordos bilaterais com países que podem ser parceiros comerciais. A falta de acordos é um entrave para inserir produtos de maior valor agregado no mercado internacional”, avaliou.

Mais do que isso, atualmente o Brasil é relevante em poucos itens, como a soja, o milho, carnes bovinas, aves, açúcar, suco de laranja e café. De acordo com o professor de Agronegócio e Coordenador do Centro Insper Agro Global, Marcos Jank, o país tem potencial para aumentar sua inserção com outros produtos, como frutas, legumes e vegetais, alimentos processados, oleaginosas, lácteos e pescados, para citar alguns exemplos.

“A América Latina é a região que detém os maiores saldos comerciais agrícolas do mundo e maior razão de exportação por produção. O comércio agrícola continuará se expandindo nas economias emergentes do mundo e o Brasil pode aumentar sua presença nas comodities estratégicas que já exporta. Entretanto, diversificar mercados, produtos e agregar valor a eles ainda é um desafio a ser vencido”, pontuou Jank.

Atualmente, a China é o destino da maior parte das exportações brasileiras. No agronegócio não é diferente e o Brasil representa 20% das importações que o país asiático realiza no setor. Entretanto, a China busca alternativas, pois não quer concentrar sua dependência de produtos em um único país.

“A autossuficiência alimentar é uma questão de soberania e continuará sendo a prioridade da maior parte dos países, que protegem seus agricultores com subsídios e dificultam acesso aos mercados, importando apenas quando é necessário”, explicou o professor do Insper.

Ele defende que o Brasil trabalhe com base na relação de interesses e amplie o leque de acordos, para diversificar os parceiros, minimizar os riscos associados à concentração e aumentar sua participação nas exportações mundiais, que hoje é de apenas 7%.

Atual delegado permanente do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador Guilherme Patriota entende que o agronegócio brasileiro é muito eficiente, pois cresceu sem expandir a área territorial. Na opinião dele, para aumentar o comércio com o mundo, o Brasil precisaria divulgar a todos os suas realizações.

“O Brasil não tem avançado sobre áreas protegidas para fazer crescer o agronegócio. Somos muito eficientes nas áreas disponíveis, temos uma base energética muito mais limpa do que todos os outros países que competem conosco, mas precisamos mostrar ao mundo que temos compromisso com o crescimento e com a sustentabilidade”, alertou Patriota.

“Aliás, quando se trata de debates ambientais, a Amazônia sempre está no centro da discussão”, disse o ex-ministro da Defesa, Aldo Rebelo, que também participou da reunião do Cosag. Para ele, é possível crescer com responsabilidade social e gerar renda e empregos para a população da região amazônica.

“Precisamos gerar riqueza e renda para o povo local. Os piores índices de mortalidade infantil do Brasil estão ali, entre povos indígenas e moradores da Amazônia, assim como os índices de tuberculose, de saneamento básico, água tratada oferta de luz elétrica”, afirmou Rebelo. “A Amazônia precisa da atenção dos brasileiros e que o Brasil exerça sua sabedoria com responsabilidade ambiental, mas também com responsabilidade social”, concluiu.