Teste positivo para covid-19 em quem já teve a doença leva cientistas a investigarem se é possível reinfecção
Fonte: Jornal da USP (07 de agosto de 2020)

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto e o Hospital das Clínicas de São Paulo investigam casos de pessoas infectadas pelo novo coronavírus há alguns meses e que recentemente apresentaram novos sintomas e tiveram novo resultado positivo par SARS-CoV-2. Fotomontagem Moisés Dorado sobre imagens Cecília Bastos/USP Imagens e Flickr
Decifrar o novo coronavírus e todas as suas consequências têm sido uma tarefa intensa e árdua para profissionais da saúde e a comunidade científica. Uma delas é saber se existe a possibilidade de reinfecção, uma vez que começam a surgir relatos sobre possíveis ocorrências. O primeiro caso aconteceu em Boston, nos Estados Unidos, conforme publicação do American Journal of Emergency Medicine, em junho.
Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP investigam o caso de uma técnica de enfermagem que, em maio, apresentou os sintomas da covid-19 (quadro de cefaleia mais intensa que habitual que evoluiu para mal-estar, fraqueza muscular, sensação febril, leve dor de garganta e congestão nasal). Foi realizado um primeiro exame de RT-PCR (exame laboratorial que identifica moléculas do vírus), com material colhido no nariz e na garganta, e o resultado foi negativo. Mas como os sintomas persistiram, repetiram o exame no nono dia, confirmando, então, a presença do novo coronavírus. No décimo dia, os sintomas desapareceram.
Entretanto, 38 dias depois, 27 de junho, a paciente voltou a apresentar mal-estar, mialgia, cefaleia intensa, fadiga, fraqueza, sensação febril, dor de garganta, perda do olfato e diminuição do paladar, diarreia e tosse. Submetida a novo RT-PCR para o vírus SARS-CoV-2, o resultado foi positivo. Nos dois momentos a paciente evoluiu bem, não precisou de internação hospitalar.
