Certificado incentiva mulheres em conselho
Fonte: Valor Econômico (14 de outubro de 2019)
Dois estudos globais recentes indicam que no Brasil apenas 8% das posições em conselhos de administração são ocupadas por mulheres. Um deles, divulgado no dia 10 de outubro pelo Credit Suisse, aponta que o país fica muito atrás da média global – a representação feminina nos boards subiu de 15,3% em 2015 para 20,6% em 2019. O crescimento ocorreu em países que criaram políticas e cotas, como França, Noruega e Japão, mas também naqueles sem pressão regulatória nesse sentido, como Estados Unidos.
Neste último caso, os pesquisadores atribuíram o crescimento à maior aceitação de que o aumento da diversidade na alta liderança gera melhora na governança corporativa. É para difundir essa mentalidade – e motivar a presença maior de mulheres nos conselhos do Brasil sem depender de leis – que um grupo de oito executivas se reuniu e criou o selo WOB (Women on Board).
A iniciativa, que conta com o apoio da ONU Mulheres, vai reconhecer por meio de um certificado as empresas que possuem duas ou mais mulheres no conselho. Nesta contagem, não vale incluir as suplentes. “Nossa ideia é criar um reconhecimento objetivo para as organizações e estimular outras empresas a fazerem o mesmo para obter o selo”, afirma a executiva Carol Conay, diretora de assuntos regulatórios do Grupo UOL/PagSeguro, que lidera a iniciativa ao lado de Carolina Niemeyer, Christiane Aché e Patricia Marins.
O número de conselheiras não foi escolhido por acaso. “Alguns conselhos, infelizmente, possuem uma única mulher apenas para dizer que tem. Mas quando há voz de pelo menos duas, o impacto gerado na gestão é mais forte”, diz Carolina Niemeyer, diretora da Gryps Investimentos, citando estudos que correlacionam maior diversidade de gênero a um retorno sobre investimento (ROI) mais alto.
Entre as quinze primeiras certificadas, estão Natura, WWF, Einstein, Banco BMG e Copel. Todas se comprometeram a avisar a associação sem fins lucrativos por trás do WOB sobre a saída de alguma conselheira. Neste caso, teriam seis meses para se readequarem. Talvez assim, segundo Conay, aumente a probabilidades de existirem mais indicações, como também das mulheres permanecerem lá. “A grande barreira é que existe uma cultura de indicação e, muitas vezes, mesmo sem ser proposital um homem acaba indicando outro”.
