Ameaça aos negócios faz busca por seguro disparar
(01 de novembro de 2019)
Estratosférica. Essa é a palavra usada por especialistas do mercado segurador para definir a demanda por seguro cibernético, que oferece proteção financeira para perdas com ataques de hackers, desde a extorsão por ransomware, invasão de vírus, interrupção do sistema, divulgação de informações confidenciais até os erros e omissões da empresa por divulgação não autorizada de informações pessoais sob sua custódia e de provedores de serviço.
“Trata-se da maior ameaça ao mundo dos negócios e isso tem gerado uma grande procura por informações pelo seguro”, afirma Flávio Sá, gerente de linhas financeiras da AIG Seguros.”
Enquanto nos EUA estima-se um mercado existente de cerca de US$ 4 bilhões ao ano, a expectativa para o mercado brasileiro é que até 2021 o volume de prêmio fique por volta de R$ 100 milhões, segundo estudo da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), braço de riscos especiais do grupo Allianz. Atualmente, segundo os números divulgados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) entre janeiro e julho, o mercado soma R$ 12 milhões em vendas. Desse valor, a AIG detém 50% de market share.
“Em 2019, registramos o dobro no volume de solicitações de propostas e de 60% na contratação de apólices cibernéticas”, afirma o executivo da AIG. Segundo Gustavo Galrão, diretor de linhas financeiras no Brasil da AGCS, a demanda no primeiro semestre já estava bastante aquecida.“Mas no segundo semestre, estamos observando um aumento de 50% nas consultas”, informou ele, que ocupa a segunda posição em vendas no mercado local, com R$ 3,4 milhões, ou 28,2% de participação.
Os corretores são os principais aliados dos clientes na busca por informações, com a missão de encontrar as melhores condições de cobertura e preço entre as sete companhias que atuam no segmento no Brasil. Além de AIG e AGCS, disputam o seguro cibernético Zurich, Chubb, Generali, Tokio Marine e AXA. De janeiro a setembro, as vendas de apólices de seguro cibernético cresceram 116% na Willis Towers Watson , em relação ao mesmo período do ano passado, cita a gerente de linhas financeiras Brasil da corretora, Ana Albuquerque. Na concorrente Aon, segundo o especialista Marco Mendes, a demanda pelo seguro cresceu 53% até setembro, comparado ao mesmo período do ano passado. “Das demandas que tivemos até o momento, mais de 40% se tornaram processos de cotação oficiais”, contou. Para Ariel Couto, CEO da MDS, o seguro é um dos mais procurados. “Apesar do crescimento exponencial da demanda pelo seguro cyber, o desafio é transformar essa aproximação dos clientes em fechamento de negócios”, comentou.
Perdas, ataques recentes e ambiente regulatório mais rígido são alguns dos fatores que aquecem a demanda pelo seguro. Diversos estudos citam perdas estimadas assustadoras, entre US$ 50 bilhões e US$ 120 bilhões em prejuízos econômicos decorrentes de ataques cibernéticos, como o cyber handbook. Ataques como o programa malicioso WannaCry, que invadiu mais de 200 mil computadores e sequestrou arquivos de 150 países há dois anos, assustou o mundo corporativo. “A inclusão de novas tecnologias como o uso do big data, cloud e internet das coisas aumentou a exposição do risco das empresas, que passaram a buscar mais informações sobre o seguro”, diz Fernando Saccon, responsável por linhas financeiras da Zurich.
