WhatsApp e realidade virtual ajudam RH em seleção
Fonte: Valor Econômico (28 de setembro de 2020)
Para ganhar eficiência nos processos de contratação, a rede Burger King passou a realizar a triagem de candidatos por meio de inteligência artificial no WhatsApp. Pelo sistema de triagem, que entrou em testes no fim do ano passado, o candidato responde a algumas perguntas-chave como nível de escolaridade, horário disponível e CEP para que o assistente inteligente identifique a posição mais indicada entre as vagas abertas em todo o País. No processo tradicional, um candidato que deseja trabalhar em uma loja da rede, por exemplo, precisa ir a cada unidade de interesse, mesmo sem saber se há vagas, e preencher uma ficha.
“O WhatsApp como recrutador tem como objetivo facilitar a vida do candidato. Com o chatbot, ele acelera suas possibilidades de contratação e amplia nossas opções de currículo”, avalia Marcia Baena, vice-presidente de gente de gestão da rede de alimentação.
Atualmente o assistente que usa tecnologia IBM Watson faz a triagem de 40% dos cerca de 4 mil currículos recebidos por mês, em todos os perfis de vagas da empresa. O banco de currículos do Burger King está em torno de 68 mil profissionais.
Paralelamente ao robô de recrutamento, empresa também usa um sistema apelidado de Top (sigla para Tecnologia Orientando Pessoas) que foi criado há um ano como um assistente virtual para auxiliar os 18 mil funcionários em dúvidas relacionadas a área de recursos humanos.
No ano passado, o Top também foi adaptado à integração de novos funcionários. “O novo colaborador inicia o processo de admissão enviando os documentos digitalmente. O robô verifica se está tudo certo, alerta se há erros ou necessidade de ajuste dos documentos e faz um pré-cadastro que só precisa ser validado por quem está conduzindo o processo”, detalha Marcia.
Hoje o sistema de admissão inteligente é aplicado em 180 lojas e em três escritórios. “Já tivemos 1.900 admissões que usaram o sistema e esperamos aplicar a todas as unidades até o fim do ano”, prevê a executiva.
Daniel Spolaor, diretor de gente da Ambev, compartilha a visão de Marcia sobre a necessidade de melhorar a experiência do candidato. “Essa experiência melhora muito porque a pessoa deixa de passar por um processo torturante com diversas etapas em que precisaria se deslocar várias vezes”, comenta.
Há pouco mais de um ano, a Ambev vem aplicando um teste de habilidades analisado por inteligência artificial na primeira fase de seleção para vagas de estágio e trainee. “O ponto mais importante é que você tira qualquer viés do seu processo”, nota o executivo.
A empresa Rocketmat, que implantou o sistema informa ter avaliado mais de 50 mil currículos da Ambev em 14 meses. A tecnologia ajudou a reduziu o tempo do processo seletivo pela metade. “O gestor que tem uma vaga aberta hoje vê quem são as pessoas aprovadas no teste pelo sistema e consegue fazer uma entrevista até no dia seguinte”, afirma Spolaor. A empresa vai ampliar a pré-seleção por algoritmo a outras áreas em 2021.
O Burger King também aplicou a inteligência artificial na seleção de candidatos a estágio no ano passado, por meio da empresa Cia de Talentos, e deve repetir a experiência este ano. Marcia diz que o plano é ir além da triagem operacional e iniciar testes culturais com candidatos usando a inteligência artificial.
A Nestlé vai aplicar inteligência e realidade virtual na seleção de trainees para 2021. O processo será 100% digital pelo sistema da PushStart. “Estamos estudando as melhores alternativas para que os finalistas façam um tour virtual e conheçam a Nestlé mesmo sem vir à empresa”, diz Ana Schiavoni, gerente de aquisição de talentos da Nestlé.
As empresas ponderam que a tecnologia tem sido uma aliada, mas não substitui a análise humana. “Na etapa final o olhar humano é fundamental”, diz Ana. Em 2019, a Nestlé recebeu 45 mil candidatos para 14 vagas do programa de trainees.