Vale vai retomar produção até fim de 2021
Fonte: Valor Econômico (15 de outubro de 2019)

Os números de produção do terceiro trimestre do ano divulgados ontem pela Vale confirmam que a mineradora está em uma trajetória de retomada gradual da produção de minério de ferro – seu principal produto – depois da tragédia de Brumadinho (MG), em 25 de janeiro deste ano, que resultou em 270 vítimas (251 mortos e 19 desparecidos), segundo dados atualizados no começo deste mês.
Ontem a mineradora reforçou que pretende retomar até o fim de 2021 a produção de cerca de 50 milhões de toneladas de minério de ferro em Minas Gerais, em operações que estão suspensas como consequência de Brumadinho. No primeiro trimestre de 2019, a Vale chegou a ter 93 milhões de toneladas de minério de ferro paralisadas, mas a mineradora conseguiu reduzir o grau de incertezas graças à retomada das operações de Brucutu, principal mina de ferro da companhia em Minas Gerais, e ao retorno parcial das operações de processamento a seco (sem o uso de água) no Complexo de Vargem Grande, também em Minas.
Esses dois retornos – Brucutu e Vargem Grande – foram anunciados em junho e julho e contribuíram para a Vale produzir 86,7 milhões de toneladas de minério de ferro entre julho e setembro, 35,4% acima do segundo trimestre do ano, mas 17,4% abaixo do terceiro trimestre de 2018.
A empresa também detalhou como imagina que se dará a retomada dos volumes paralisados: “Em 2020, a Vale espera produzir adicionalmente cerca de 30 milhões de toneladas de operações suspensas relacionadas à tragédia de Brumadinho, com 7 milhões de toneladas provenientes do retorno parcial das operações a seco do Complexo de Vargem Grande em 2019 e o restante proveniente das operações de processamento a seco de [minas de] Fábrica, Timbopeba e outros. Em 2021, a Vale espera adicionar os cerca de 25 milhões restantes, provenientes, principalmente, das operações de processamento a úmido [com o uso de água] de Timbopeba e e outros. Em 2021, a Vale espera adicionar os cerca de 25 milhões restantes, provenientes, principalmente, das operações de processamento a úmido [com o uso de água] de Timbopeba e do Complexo de Vargem Grande.”
No relatório, a Vale também reafirmou que deve vender entre 307 milhões e 332 milhões de toneladas de minério de ferro neste ano, com previsão de que o volume final fique próximo do centro da meta. Antes de Brumadinho, a Vale trabalhava com uma meta de produção de 400 milhões de toneladas de minério de ferro para este ano.
Recentemente a companhia indicou que o número continuará a ser perseguido, mas há no mercado quem acredite que pode levar até dois anos para esse volume de produção ser atingido. Desde a tragédia, a Vale passou a informar uma meta de vendas e não mais de produção, como fazia antes.
Também ontem a companhia reafirmou a revisão que havia feito, em setembro, na meta de produção de pelotas de minério de ferro, que caiu de 45 milhões para 43 milhões de toneladas. A mudança busca adaptar o portfólio de produtos da companhia às condições “temporárias” de mercado, segundo a própria Vale.
Entre julho e setembro deste ano, as vendas de minério de ferro e pelotas somaram 85,1 milhões de toneladas, 20,2% acima do segundo trimestre de 2019, mas 13,3% abaixo do terceiro trimestre de 2018. No acumulado do período janeiro-setembro, a Vale vendeu 223,6 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas, com queda de quase 17% sobre o mesmo período de 2018.
Analistas de bancos consideraram que o resultado da Vale veio dentro das expectativas. O Itaú BBA disse que, como esperado, a Vale recebeu menores prêmios por produtos de maior qualidade. Os prêmios ficaram em US$ 5,9 por tonelada no terceiro trimestre ante US$ 11,4 por tonelada no segundo trimestre do ano. O banco estimou que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Vale, no terceiro trimestre, deve ficar em US$ 4,95 bilhões (os números serão conhecidos dia 24). O BTG Pactual trabalha com número semelhante para o Ebitda. O banco disse ainda acreditar que a Vale pode voltar a pagar dividendos aos acionistas em 2020. A distribuição de dividendos foi suspensa depois de Brumadinho. O Santander também prevê que os resultados do terceiro trimestre e um quarto trimestre “sólido” podem “abrir a porta” para a retomada no pagamento dos dividendos no começo de 2020.