Trigo argentino é mais barato que americano mesmo com nova taxa, diz analista
Fonte: Valor Econômico (16 de dezembro de 2019)
Mesmo com a decisão do governo argentino de criar novos impostos para exportação de grãos, o trigo do país vizinho continuará mais competitivo que o americano ou de outros países para os importadores brasileiros avalia o analista Luiz Pacheco, da T&F Consultoria.
Em um exercício simples, levando em consideração os valores atuais de negociação, o preço do trigo argentino FOB (custos de transporte pagos pelo comprador) passaria dos atuais US$ 199 para US$ 216,91 a tonelada. Com um preço médio do frete de US$ 18 a tonelada, o cereal chegaria ao Brasil a US$ 234,19 a tonelada. O produto americano chega atualmente aos portos do Nordeste a US$ 279,74, se considerada a tarifa de importação (TEC) de 10%, e a US$ 249,10 dentro da cota de 750 mil toneladas sem TEC, esclarece Pacheco.
Além disso, ele lembra que, para não perder mercado, é possível que as tradings argentinas não repassem os impostos aos compradores e que o custo adicional fique com o produtor argentino. “E ainda temos dúvida se as retenciones serão cobras a partir dos novos embarques ou dos registros”.
Com medo das medidas do peronista de centro-esquerda Alberto Fernández, as tradings argentinas já tinham acelerado as compras de trigo dos produtores locais, segundo o analista. Foram 11,6 milhões de toneladas registradas até a semana passada, das quais 2,9 milhões negociadas com o Brasil e 1 milhão de toneladas já entregues até o fim de novembro, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
“A necessidade brasileira será de 5,5 milhões de toneladas, pelo menos, então haverá necessidade de vender ao Brasil mais 2,6 milhões de toneladas. Se a Argentina não puder fornecer esse volume, o governo brasileiro poderá aumentar (dobrar? triplicar?) a atual cota libre de TEC para países de fora do Mercosul, como EUA, Canadá e Rússia”, diz Pacheco em relatório.