Tráfego intenso de arroz pelas estradas rumo aos portos
Fonte: Valor Econômico (28 de setembro de 2020)

As exportações brasileiras de arroz aumentaram cerca de 65% de janeiro a agosto, para quase 1,5 milhão de toneladas — Foto: Fabio Scremin/Appa
Os elevados preços no mercado internacional, aliados à valorização do dólar ante o real, fizeram as exportações brasileiras de arroz aumentarem quase 65% de janeiro a agosto ante o mesmo período de 2019. E esse avanço, como não poderia deixar de ser, se refletiu no transporte do cereal para os principais portos de escoamento ao exterior.
Levantamento da Cargo X, plataforma de transporte de cargas, mostrou que o volume de contratos entre as áreas produtoras e os principais portos do país cresceu 188% nos primeiros oito meses de 2020 ante igual intervalo de 2019 – a empresa não revela números absolutos.
Em direção ao porto de Paranaguá (PR), o avanço foi de 377%, e para Rio Grande (RS), chegou a 339%. O levantamento também inclui cargas transportadas para Santos (SP), Itaguaí (RJ) e Suape (PE). Mas vale lembrar que 70% da produção nacional de arroz é concentrada no Rio Grande do Sul.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz), o país exportou 1,47 milhão de toneladas de arroz em casca, quebrado ou beneficiado de janeiro a agosto deste ano, ante 892,7 mil no mesmo período de 2019. Em receita, o incremento foi de 81,4%, para US$ 407,24 milhões.
No caso das importações, os dados oficiais de janeiro a agosto mostram que houve uma retração de 16,4% no volume comprado do exterior, para 571,5 mil toneladas, e que a receita foi 12% menor (US$ 145,7 milhões).
Com o fim da Tarifa Externa Comum (TEC) para importação de até 400 mil toneladas de arroz pelo governo, no mês passado, a expectativa é que as próximas estatísticas apontem incremento.
Mais cereal americano no Brasil
Após a Camex ter zerado as tarifas de importação de arroz, os Estados Unidos voltaram a reportar, ontem, a venda de 7,2 mil toneladas do produto ao Brasil, segundo a agência Reuters. Na semana passada, um primeiro informe “pós-taxa zero” deu conta do embarque de 30 mil toneladas de arroz americano ao mercado brasileiro. A cota aprovada em meio à disparada dos preços internos estabelece que até dezembro poderão ser importadas 400 mil toneladas de fora do Mercosul sem tarifa. Mesmo assim, o indicador Esalq/Senar-RS para a saca de 50 quilos continua em alta. Ontem foi a R$ 106,24, com alta de 13% no mês e novo recorde. (Naiara Albuquerque)