Tensão entre EUA e China dita preços das commodities

Fonte: Valor Econômico (02 de dezembro de 2019)

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A tensão comercial entre Estado Unidos e China impacta os preços das commodities no mundo. Em novembro, a cotação do barril de petróleo Brent apresentou alta de 3,7%, chegando a US$ 62,48. Já a tonelada de minério de ferro teve aumento de 1,73% no mês passado, fechando a US$ 87,46 a tonelada, no porto chinês de Qingdao, conforme a publicação especializada “Fastmarkets MB”. No ano, a valorização é de 20,25%.
 
Segundo o analista de petróleo e energia da XP Investimentos, Gabriel Francisco, mais uma vez a tensão comercial entre os Estados Unidos e a China ditou o comportamento da demanda no mês passado.
 
“Foi um mês bem volátil no preço do petróleo. Essa instabilidade nas relações comerciais influencia o lado da demanda. Ocorreu algum alívio parcial com a divulgação de dados de alguns países, como os EUA, que mostraram uma certa desaceleração na economia”, disse Francisco.
 
No lado da oferta, o analista disse que há uma pressão por parte da Rússia para manter o acordo de cotas feito pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) até março de 2020, quando termina o prazo para diminuir a produção. A expectativa, segundo Francisco, é que na próxima reunião, marcada para quinta-feira, os países da Opep decidam pelo fim do acordo de cotas. “A Opep terá que decidir entre participação ou manutenção do preço.”
 
“A Rússia tenta ainda retirar das cotas o condensado de gás natural, porque deve aumentar a produção desse produto com o início da operação de campos no Ártico e na Sibéria. Hoje, condensado de gás natural representa de 7% a 8% da produção russa. ”
 
Já em relação ao preço do minério de ferro, a expectativa para o próximo ano é de aumento de oferta no mercado marítimo, informou Daniel Briesemann, do banco alemão Commerzbank à agência Dow Jones. “As interrupções na Austrália foram resolvidas e as minas que foram forçadas a fechar no Brasil estão gradualmente retomando as operações”, disse Briesemann.
 
Os preços do minério de ferro dispararam no início do ano após o rompimento da barragem da Vale ter provocado uma interrupção na oferta. No entanto, houve queda em agosto e, desde então, são negociados em uma faixa de preço menor.