"Somos os pobres da história", diz Bolsonaro sobre taxação do aço por Trump

Fonte: Valor Econômico (04 de dezembro de 2019)

— Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil


 
O presidente Jair Bolsonaro minimizou nesta quarta-feira o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre taxação de aço e alumínio brasileiros e afirmou que não irá “dar as costas” ao norte-americano.
 

“Não tenho idolatria por ninguém, mas tenho uma amizade. Não vou falar amizade. Eu não frequento a casa dele, né? Mas tenho um contato bastante cordial”, afirmou, em relação a Trump. “Não tenho decepção. Não é porque um amigo meu fala grosso em uma situação qualquer que eu vou dar as costas para ele”.

 
Bolsonaro negou que o Brasil esteja “aumentando artificialmente” o valor do dólar frente ao real. “Nós não queremos aqui aumentar artificialmente, não estamos aumentando artificialmente o preço do dólar”, rebateu Bolsonaro. “O mundo está globalizado. A própria briga comercial entre Estados Unidos e China influencia o preço do dólar aqui”.
 
O presidente afirmou também que “nós importamos etanol deles [dos americanos], eles querem agora e está bastante avançado mandar trigo para a gente. Mas nós somos os pobres da história. Não sei quantas vezes a economia deles é maior do que a nossa, varias vezes”, afirmou.
 
Bolsonaro afirmou que o governo já possui, agora, as informações sobre a taxação de aço e alumínio e que o Brasil seguirá em negociação com os Estados Unidos. Questionado se fez contato telefônico com Trump, Bolsonaro disse que não divulgaria a informação. “Vou dar uma dica para vocês. Se eu já liguei para ele ou não vocês não vão ficar sabendo. Isso é uma questão de Estado, não adianta eu dar aqui uma de pavão misterioso”.
 
O presidente comentou que há um exagero na repercussão do anúncio de Trump. “Existe um certo exagero no que está acontecendo. Por enquanto não foi sobretaxado nada, só tem a promessa dele no Twitter”.
 
Na última segunda-feira, Trump anunciou pelo Twitter de que voltará a taxar o aço e o alumínio produzidos no Brasil. “O Brasil e a Argentina têm promovido uma desvalorização maciça de suas moedas, o que não é bom para os nossos agricultores. Portanto, de maneira efetiva e imediata, restaurarei as tarifas de todos os aços e alumínio enviados para os EUA a partir desses países”, escreveu o presidente americano.
 
…..Reserve should likewise act so that countries, of which there are many, no longer take advantage of our strong dollar by further devaluing their currencies. This makes it very hard for our manufactures & farmers to fairly export their goods. Lower Rates & Loosen – Fed!
— December 2, 2019
 
O Valor informou nesta quarta que a Europa também ameaça aumentar barreiras à entrada do produto brasileiro na União Europeia. A Eurofer, associação dos produtores siderúrgicos da Europa, diz temer que o aço que o Brasil e a Argentina não puderem mais exportar para o mercado dos Estados Unidos acabe desviado para a Europa, fragilizando ainda mais a já combalida indústria do velho continente.