Receita encolhe e escolas repensam programas de educação executiva

Fonte: Valor Econômico (14 de maio de 2020)

A escola suíça IMD liderou o ranking de programas abertos do “Financial Times” — Foto: Divulgação


O IMD, na Suíça, e o Iese, na Espanha, lideram os dois rankings de instituições de educação para executivos do “Financial Times”, em um momento em que as escolas de negócios buscam se reestruturar enquanto se preparam para um forte declínio da demanda devido ao coronavírus. O IMD está no topo do ranking de 2020 de programas abertos, com turmas destinadas a executivos de qualquer organização, enquanto o Iese lidera o de programas customizados, feitos sob medida para empresas.
 
A quarentena não afeta só as receitas. Ela também tem obrigado as escolas de negócios a repensarem os cursos que oferecem, a maneira como ensinam habilidades de liderança e como vão equilibrar o treinamento on-line de curto prazo durante a quarentena com a demanda tradicional por aulas presenciais no campus ou nos escritórios das empresas.
 
As receitas globais do mercado de educação para executivos ficaram perto de US$ 2 bilhões em 2019 e estavam em uma curva ascendente antes do golpe da covid-19. Mais da metade dos principais provedores de cursos hoje prevê quedas acentuadas nas receitas este ano, de acordo com uma análise da Unicon, um consórcio de 113 escolas.
 
Em uma pesquisa recente com seus integrantes, 51% disseram que o coronavírus já teve um impacto significativo nas receitas e apenas 4% disseram que não houve nenhum impacto.
 
O mercado de educação para executivos estava em evolução mesmo antes da covid-19, de acordo com a análise de dados pré-pandemia do “Financial Times”. Ela mostrou que escolas com melhor classificação estavam aumentando o volume de ensino a distância para atender a alunos com pouco tempo livre para estudar. Desde então, a quarentena obrigou mais escolas a passarem para o ensino on-line, à medida que os clientes cancelavam os cursos de curta duração.
 
Gael Fouillard, diretor da área de educação executiva da Grenoble Ecole de Management, disse que a receita de seus cursos deve cair 25%. “Ainda temos esperança de manter a atividade de nossos programas abertos próxima do que foi em 2019. Em termos de programas customizados, a quarentena interrompeu a atividade por pelo menos dois ou três meses. Talvez até mais.”
 
A área de educação executiva da Universidade da Califórnia em Berkeley tinha a expectativa de chegar a uma receita de US$ 35 milhões este ano, com 5.500 alunos. O fechamento do campus, a uma curta distância do centro da cidade de San Francisco, significa que a escola terá de “reavaliar essas previsões”, segundo seu executivo-chefe, Mike Rielly. “Foram quatro anos fantásticos [desde 2016], quando mais do que dobramos o impacto em termos de receita e de número de alunos. Queremos que isso continue”, disse ele.
 
Isso traz desafios, de acordo com Mike Malefakis, vice-reitor-assistente da Wharton Executive Education, um dos maiores provedores de educação para executivos presencial e a distância do mundo. Ele disse que a instituição se adaptou com o desenvolvimento de novos programas de liderança, que têm o objetivo explícito de ensinar como administrar durante uma pandemia. “É algo que exige um volume considerável de coordenação e trabalho, mas temos sorte de ter uma vasta experiência na oferta de programas on-line nos últimos cinco anos”, disse.