Produtores ameaçam paralisar embarque de grãos

Fonte: Valor Econômico (21 de maio de 2021)

O presidente da Confederação Rural Argentina (CRA), Jorge Chemes, afirmou ao jornal “La Nacion” que, se o governo mantiver as restrições às exportações de carne bovina, na segunda ou na terça-feira da semana que vem, os embarques de grãos serão paralisados. A Mesa de Enlace, que reúne as principais entidades agrícolas do país, já decidiu paralisar até o dia 28 a comercialização de gado no mercado doméstico.
 
“Há muitos produtores rurais e pecuaristas que pedem a adesão dos produtores de grãos. Não temos nenhum problema em fazer isso”, disse Chemes ao jornal, afirmando que o diálogo com o segmento de grãos está em curso.
 
O governo do presidente Alberto Fernández bloqueou as exportações argentinas de carne bovina por 30 dias, exceto no caso de algumas cotas específicas como a Hilton, de cortes nobres destinados à União Europeia. “Caso o governo não reverta a decisão, mais setores serão incorporados à medida de força”, acrescentou o representante do agronegócio.
 
A Mesa de Enlace aguarda os resultados da reunião que será realizada entre Matías Kulfas, Ministro do Desenvolvimento Produtivo, e membros do Conselho Agroindustrial Argentino (CAA) e da cadeia da carne.
 
“Propomos que a partir de segunda-feira (a greve) seja estendida à comercialização de grãos”, afirmou ao “La Nacion” Horacio Salaverri, presidente da Confederação das Associações Rurais de Buenos Aires e La Pampa (Carbap).
 
A Argentina é um importante exportador mundial de grãos e biodiesel, sendo o terceiro no comércio internacional de soja e o primeiro na venda de óleo e farelo. De acordo com a Câmara da Indústria do Petróleo da República Argentina (CIARA) e Centro Exportadores de Cereais (CEC), entidades que representam 48% das exportações argentinas, a receita cambial acumulada da agroexportação nos primeiros quatro meses deste ano atingiu US$ 9,8 bilhões, um recorde para o período desde 2016.
 
A Bolsa do Rosário destaca que as vendas do complexo soja no primeiro quadrimestre foram as maiores da história. Só as de óleo cresceram 134% em receita, na comparação anual, as de farinha dobraram e as de biodiesel aumentaram 24%.