Presidente da ATP: “Temos que torcer para o programa de desestatização dos portos brasileiros”
Fonte: Isto é Dinheiro (23 de outubro de 2020)
O presidente da Associação dos Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa, participou da live da IstoÉ Dinheiro nesta quinta-feira (22). Na entrevista ao editor-assistente da revista, Sérgio Vieira, Barbosa fez uma análise do cenário brasileiro do transporte marítimo de cargas e opinou sobre as amarras e oportunidades que o setor tem para seguir o caminho no pós-pandemia.
Por via marítima, foram realizadas quase 75% de todas as transações brasileiras no primeiro semestre deste ano. A expectativa do presidente da ATP é de aumento ainda maior na movimentação das cargas nos terminais particulares até o fim do ano, com a safra recorde de grãos.
“Se nós queremos o bem do Brasil, temos que torcer para o programa de desestatização dos portos brasileiros”, afirmou.
Almirante, Barbosa apresentou os dados de crescimento dos Terminais de Uso Privado (TUPs) e comentou sobre o aumento de 9,2% na balança comercial por via marítima em comparação ao primeiro semestre de 2019.
Entre os fatores do crescimento do setor, disse ele na live, estão a alta na movimentação de soja (32,6%) e de petróleo e derivados (23,6%).
Em volume, a alta foi de 11,8 milhões de toneladas. A maior parte da movimentação de cargas saiu pelos portos privados. Ou seja, dos 515 milhões de toneladas, 350 milhões passaram pelos pelos terminais privados – crescimento de 6,8% no segundo trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. O que mostra a importância do segmento portuário no País, cada vez mais eficientes e mais competitivo.
Ao certo, a exportação de commodities é uma contribuição fundamental dos portos à balança comercial brasileira e pode garantir o superávit no comércio exterior do Brasil. Os terminais privados comandaram a movimentação portuária brasileira em 2019, sendo responsáveis por 66% da movimentação total de cargas do ano passado e registram crescimento médio anual de 3,4% nos últimos nove anos.
Ao longo do último ano, mais 20 novos terminais privados foram autorizados a operar, o que representa uma carteira de investimento de R$ 1,5 bilhão. E a tendência é ir além, passada a crise sanitária do coronavírus.
Na live, Barbosa falou sobre a retomada dos programas de concessões de infraestrutura no País. “Um de nossos maiores gargalos é a questão de infraestrutura e logística de acesso aos portos” – leia-se, a movimentação terrestre de cargas, seja elas por estradas ou ferrovias. Para o presidente da ATP, “o País, pela falta de recursos, tem que atrair o capital externo para o transporte marítimo para para que se viabilize por concessões e criar eixos logísticos mais eficientes”, avalia.
Durante a conversa, ele também falou sobre a perspectiva do governo federal de desestatização dos portos, dos arrendamentos e da gestão do Porto de Santos, maior terminal portuário da América Latina, que, provavelmente será entregue à iniciativa privada em 2022. “Temos que desamarrar as concessões dos portos brasileiros”, entende.
Barbosa comentou sobre o forte potencial dos terminais da região Norte do País, local onde a ATP desenvolve o projeto Barra Norte, que visa aumentar a profundidade do canal do Rio Amazonas para que as embarcações possam sair mais carregadas com mercadorias.
A ideia é gerar diminuição dos custos logísticos e maior competitividade aos produtos brasileiros. “Está tendo um movimento de descoberta do eixo logístico para o Norte”, avalia.
Murilo Barbosa também comentou sobre o programa PRO Brasil, do Ministério de Infraestrutura. Ele considera a iniciativa positiva para o setor, principalmente, em razão das duas frentes de trabalho: Progresso, que inclui obras necessárias e investimentos na multimodalidade; e Ordem, que propõe medidas para o aprimoramento da regulação, fiscalização e do ordenamento jurídico para a atração de investimentos e melhorias no ambiente de negócios.