Porto de Leixões deve apostar na ferrovia e competir com a Galiza e Valladolid

Fonte: Revista Cargo (25 de setembro de 2020)

Marco Vale, Managing Director da MSC Portugal abordou, durante o webinar ‘A Logística e os Portos enquanto “nós” da Intermodalidade’, realizado pela ADFERSIT, a expansão do Porto de Leixões e a aposta que deverá ser feita na ferrovia para que a competição pelo hinterland seja mais efetiva, em direta concorrência com portos espanhóis. Aveiro também esteve em destaque pelo potencial que apresenta.
 
Porto de Leixões faz maravilhas com o espaço que tem
Sobre a expansão do Porto de Leixões: mais uma vez, é uma expansão que peca por tardia, todos sabemos que, há vários anos, o Porto de Leixões está no limite da sua capacidade. Eu costumo dizer que o Porto de Leixões faz maravilhas com o espaço e condições que tem, e, enfim, há alguns anos que já deveria ter tido esta expansão, comentou Marco Vale, após ter abordado a temática do futuro crescimento dos contentores em Sines.
 
Por outro lado, gostaria de deixar no ar uma ideia interessante: não sei se foi feita uma análise de custo-benefício entre a expansão de Leixões e a aposta na melhoria das acessibilidades marítimas para Aveiro. Porque, uma coisa que não vejo no plano do Porto de Leixões é uma forte componente ferroviária. Penso que não está prevista, observou o Managing Director da MSC Portugal, instando a uma forte aposta ferroviária.
 
Aveiro já tem uma ligação ferroviária integrada no porto
Leixões deve competir com a Galiza, eventualmente com Valladolid; o Porto de Vigo poderia até ser dominado, bem servido, por Leixões, mas falta uma aposta ferroviária se queremos que o hinterland chegue às centenas de quilômetros. Não vale a pena fazermos 500 quilômetros de caminhão – nunca seremos competitivos assim, denotou, lembrando que Aveiro já tem uma ligação ferroviária integrada no porto.
 
Avançando dez anos, e comparando uma solução em que teríamos Aveiro e Leixões em pleno funcionamento, com uma solução em que apenas teremos Leixões, penso que seria mais benéfico para o país ter dois portos de média/grande dimensão a funcionar. Aveiro tem tudo, basta melhorar as acessibilidades marítimas, que, aliás, também têm de ser melhoradas em Leixões, rematou Marco Vale.