PIB mantém ritmo de crescimento no 2º trimestre

Fonte: FIESP (05 de setembro de 2022)

O PIB brasileiro cresceu 1,2% no 2º trimestre em relação ao 1º trimestre de 2022, sem efeitos sazonais. O desempenho veio acima da expectativa do mercado, que era de alta de 0,9%. Pela ótica da oferta, o principal destaque foi o setor industrial, que exibiu aumento de 2,2% sobre o 1º trimestre de 2022, resultado do crescimento em todos os subsetores: 3,1% no segmento de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos; 2,7% na construção; 2,2% nas indústrias extrativas e 1,7% nas indústrias de transformação. Destaque positivo também para a continuidade do bom desempenho do setor de serviços, que cresceu 1,3% no trimestre. O setor agropecuário, por sua vez, apresentou alta de 0,5%.

 

Pelo lado da demanda, a contribuição positiva para o PIB no 2º trimestre veio da formação bruta de capital fixo (+4,8%), com impacto do forte aumento da produção de máquinas e equipamentos (+4,3%). Além disso, o consumo das famílias cresceu 2,6%, influenciado pela melhora no mercado de trabalho e ampliação da massa salarial. Já o consumo do governo caiu 0,9% na passagem trimestral. Em relação ao setor externo, as exportações de bens e serviços caíram 2,5%, enquanto as importações aumentaram 7,6% em comparação ao trimestre anterior. Os dados são detalhados na Tabela 1.

 

Resultados do PIB. Fonte: elaboração Fiesp a partir de dados do IBGE. Dados dessazonalizados

 

Neste ano, o resultado do PIB será puxado, basicamente, pelo desempenho satisfatório da atividade no 1º semestre de 2022, o qual foi influenciado, sobretudo, pelo setor de serviços, que ganhou impulso com o processo de reabertura econômica e retomada de alguns segmentos. Outros fatores importantes para o bom desempenho da atividade na primeira metade do ano foram a recuperação do nível de emprego e o aumento da massa salarial ampliada decorrente das medidas de transferência de renda do governo federal, como a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas, o saque antecipado do FGTS e a majoração do valor do Auxílio Brasil. A forte expansão fiscal contrabalanceou os efeitos negativos do elevado patamar da taxa de juros. Logo, muito provavelmente, o primeiro semestre pode ter sido o melhor momento da economia brasileira no ano.

 

Neste sentido, o 2º semestre não deverá repetir o mesmo dinamismo, em grande parte devido aos efeitos defasados do significativo aperto monetário. Vale destacar também as incertezas envolvidas no processo eleitoral e o esgotamento dos efeitos da reabertura econômica. Ademais, no cenário externo, a elevação das taxas de juros nas economias desenvolvidas e a desaceleração mundial também se colocam como importantes desafios. Tais fatores já impactam, inclusive, as expectativas de crescimento para 2023, as quais têm sido continuamente reduzidas, conforme indica o gráfico 1:

 

Evolução das Expectativas de Crescimento do PIB em 2022 e 2023 (%). Fonte: elaboração Fiesp a partir de dados do Boletim Focus/Banco Central

 

A indústria brasileira também sofrerá com a desaceleração da economia global, o forte aumento da taxa de juros e o elevado nível de incerteza nos próximos meses. Neste cenário, a projeção da Fiesp para a produção industrial em 2022 é de uma queda de 0,9%, previsão que pode sofrer alteração diante do alcance das medidas de estímulo do governo.

 

Diante desta análise, a projeção da Fiesp para o resultado do PIB em 2022 é de 2,6%, muito em função do efeito da herança estatística do 1º semestre, ou seja, mesmo que seja observado crescimento zero nos dois próximos trimestres, o PIB brasileiro ainda deverá crescer acima de 2% no ano, devido ao desempenho favorável dos dois primeiros trimestres. Para 2023, no entanto, a previsão da Fiesp é que a economia brasileira apresente crescimento de 0,2%, refletindo, sobretudo, os efeitos defasados da política monetária contracionista.