Pandemia causa impacto de R$ 271 milhões no balanço
Fonte: Valor Econômico (02 de junho de 2020)
O acordo comercial encerrado em 25 de abril pela Boeing e a pandemia de covid-19 deixaram marcas negativas no balanço da Embraer do primeiro trimestre, quando o prejuízo líquido chegou a R$ 1,28 bilhão. Ainda assim, os números foram bem recebidos por analistas e investidores, que projetavam desempenho mais fraco do que o reportado.
No trimestre, a companhia reconheceu R$ 271,7 milhões em itens extraordinários relativos ao novo coronavírus, além de R$ 571,2 milhões em imposto de renda e contribuição social diferidos, na esteira da desvalorização cambial e de operações de compra e venda relacionadas à cisão do negócio de aviação comercial como parte do acordo com a Boeing – os gastos com a segregação em si totalizaram R$ 97 milhões no período e se somam aos cerca de R$ 490 milhões dispendidos em 2019.
Conforme a Embraer, a decisão frente à crise foi a de adotar uma postura conservadora e, assim, realizar uma provisão adicional para devedores duvidosos (PDD) no valor de R$ 163 milhões. Além disso, a marcação a mercado do valor das ações detidas na companhia aérea Republic Airways resultou em baixa de R$ 108,6 milhões.
A aviação comercial foi a mais afetada pela crise e a companhia segue negociando a postergação de entregas. Até agora, contudo, não houve cancelamento de pedidos. De janeiro a março, a receita líquida da Embraer, considerando o negócio de aviação comercial, recuou 8% na comparação com o mesmo intervalo de 2019, para R$ 2,87 bilhões.
O resultado operacional antes de juros e impostos (Ebit) ficou negativo em R$ 209,1 milhões, quase quatro vezes acima do Ebit também negativo de R$ 53,7 milhões um ano antes. Ajustado pelos eventos extraordinários, o resultado operacional foi positivo em R$ 62,6 milhões.
Já o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 47,6 milhões, frente a R$ 120 milhões nos três primeiros meses do ano passado.
Na aviação comercial, a receita totalizou R$ 637,1 milhões no primeiro trimestre, com queda de 40% na comparação anual. Já a receita líquida da aviação executiva subiu 31%, a R$ 587,6 milhões, beneficiada pelo maior número de jatos grandes entregues. A receita no segmento de Defesa e Segurança ficou praticamente estável em R$ 676 milhões e a receita da divisão de Suporte e Serviços mostrou expansão de 5%, para R$ 966,6 milhões.