Pagamento de bônus leva em conta diversidade e clima
Fonte: Valor Econômico (22 de fevereiro de 2021)
Na hora de decidir o tamanho dos bônus salariais dos executivos, os membros dos conselhos de administração sofrem maior pressão para levar em conta questões como as mudanças climáticas e a diversidade. O número de empresas que incluem métricas sociais ou ambientais ao decidir as bonificações dos executivos dobrou desde 2018. Agora, cerca de 20% das 6,5 mil firmas pesquisadas levam em conta esses fatores, segundo o relatório anual mais recente da ISS ESG, o braço de investimentos responsáveis da firma de assessoria em votações de acionistas Institutional Shareholder Services.
As gratificações a executivos no geral se basearam em critérios financeiros, como lucro por ação, desempenho das ações ou crescimento da receita. A inclusão de métricas não tradicionais para definir os bônus salariais chega em meio ao aumento da pressão de investidores, políticos e do público em geral sobre as empresas para que passem a considerar seu impacto na sociedade como um todo, mais particularmente depois da pandemia e dos protestos do “Vidas Negras Importam” em 2020.
Bonnie Saynay, chefe de análises de questões ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês) na ISS ESG, diz que a velocidade da inclusão desses novos critérios impressiona.
Nos últimos anos, gestores de ativos têm se dedicado mais a investimentos sustentáveis, na crença de que empresas mais bem preparadas para a transição energética ou com uma força de trabalho mais diversificada terão um desempenho melhor. “Parte do processo formal de estudo dos números que os gestores de fundos fazem agora é pesquisar os planos de remuneração das equipes de executivos e como estão alinhados a valores centrais de ESG”.
A Amundi, maior gestora de fundos da Europa, é uma delas. “Esperamos que a remuneração dos executivos, de curto e longo prazo, esteja alinhada às tendências de desempenho e que integre totalmente objetivos específicos ESG”, disse Jean-Jacques Barbéris, que supervisiona negócios de ESG na gestora de ativos de 1,7 trilhão de euros.
Das quase 2 mil empresas examinadas pela ISS ESG que incluíram critérios ambientais e sociais, mais de 90% destes estavam incluídos nos planos de remuneração de curto prazo, como as bonificações anuais. Cerca de 12% as incluíram nos planos de incentivo de longo prazo, com as mudanças climáticas sendo a questão que mais aparece nesses esquemas.
Segundo a ISS ESG, empresas como a Microsoft incluíram a diversidade como métrica para a remuneração dos executivos, enquanto a Nestlé levou em conta a segurança e saúde dos funcionários nos pacotes de remuneração. Já a BHP incluiu o uso de energia e as mudanças climáticas.
Uma pesquisa separada, da PwC, com 50 empresas, em sua maioria de capital aberto, revelou que 75% estudavam usar metas ESG em seus planos de remuneração dos executivos ou reforçar seus esquemas atuais.