Mulheres no porto
Fonte: G1 (02 de junho de 2021)
Ao caminhar entre os armazéns do Porto de Santos, Daniele Pereira, 31 anos, passa carregando um extintor de incêndio para realizar as trocas periódicas do equipamento. Durante o trajeto, a bombeira civil da Copersucar, afirma que colaboradores de outras empresas olham assustados ao visualizarem uma mulher exercendo essa função na área portuária.
“Me sinto honrada quando alguém me olha com espanto. Tenho orgulho em ajudar a abrir portas para outras mulheres que têm o sonho de trabalhar nessa ou em outras funções no porto”, comenta Daniele.
Bombeira civil há seis anos, Daniele sempre teve o sonho de atuar na área portuária. Porém, nessa função, as dificuldades encontradas pelo caminho sempre foram grandes. “O impasse tinha início no anúncio das vagas, onde as empresas destacavam entre os requisitos que só aceitavam homens. Mesmo com todas as experiências e capacitações exigidas, eu nunca era chamada para uma entrevista”.
A oportunidade para exercer a profissão dentro do setor chegou há quase dois meses e Daniele comemorou a nova conquista. A profissional que já coordenou até 164 bombeiros em uma empresa de eventos, ressalta a importância da diversidade no mercado de trabalho. “Eu sempre comento que não preciso que tenham pena de mim e sim respeito, por estar em uma profissão considerada masculina por muitas pessoas. A mulher é detalhista, dedicada e muito competente, podendo ser o que desejar. Fazemos a diferença e só precisamos de uma oportunidade para mostrar todo o nosso talento”, finaliza.
A mão de obra portuária sempre foi tradicionalmente masculina, mas nos últimos anos, essa realidade já está mudando. Raphaela de Souza Silva Botelho, 24 anos, trabalha como supervisora no setor de Triagem dos caminhões que chegam ao Terminal Açucareiro Copersucar. “Algumas vezes eu preciso ir até a área operacional para falar com o encarregado, caso algo não esteja funcionando, como uma cancela quebrada, por exemplo”, explica.
A jovem, engenheira química, comanda uma equipe de seis pessoas e mostrou como é possível crescer profissionalmente nesta atividade, reforçando que o porto traz muitas oportunidades para quem acredita. O início nessa área foi desafiador: começou como estagiária de instrumentação, fazendo a manutenção de sensores nas esteiras e elevadores de armazéns. “Era um trabalho considerado muito masculino, braçal e eu era a única mulher na área”.
Raphaela sempre se encantou pela área portuária, desde criança, quando passava de ônibus e via os terminais com os olhos brilhando, só não imaginava que essa experiência faria parte da sua vida.
“As mulheres precisam estar na área portuária e em vários outros empregos que são considerados masculinos. A mulher é muito forte”, comenta Raphaela Botelho.
Histórias de mulheres que se tornaram a primeira do gênero em um setor são frequentes pelo porto. Em 2004, Patrícia Fitipaldi Borba (40), com 23 anos, se tornou a primeira mulher registrada em um setor operacional do TAC. Ela ingressou como auxiliar administrativa no Centro de Controle Operacional (CCO) da Copersucar, fazendo toda a parte de gestão de estoque do produto.
“Eu ingressei em um setor onde sempre fui tratada com muito respeito por todos. Apesar de ter sito a primeira mulher, nunca senti diferença de tratamento. Aos poucos, fui conquistando a confiança de todos”, acrescenta.
Quando iniciou na empresa, relembra que no caminho para o trabalho, encontrava poucas mulheres. “Acho muito importante que esse cenário tenha se transformado, mesmo que aos poucos, hoje vivemos uma outra realidade”.


