Millennials valorizam bom chefe, salário atrativo e ambiente tolerante, diz estudo
Fonte: Valor Econômico (06 de outubro de 2020)
Embora palavras como “agilidade” ou “holocracia” apareçam com frequência em novos modelos de gestão empresarial atrativos aos novos talentos, um novo estudo do Credit Suisse mostra que certos valores fundamentais nas corporações ainda são muito mais importantes para os jovens. São, por assim dizer, um terreno fértil para a satisfação no trabalho, como define Cloé Jans, autora do estudo. “Isso começa com ter um bom chefe, que reconhece o trabalho realizado, que é tolerante e que paga um salário digno pelo esforço realizado”, disse ao Valor, listando os três atributos considerados mais importantes pelos jovens entrevistados.
O estudo Youth Barometer, foi realizado pelo instituto GFS para o Credit Suisse, e ouviu 1 mil jovens de 16 a 25 anos de cada país: Brasil, Suíça, EUA e Singapura. Lançado recentemente, analisa quais são os desejos, preocupações e desejos de carreiras dos millennials, e mostra que as demandas são altas. Dos 15 atributos listados no estudo, para que os jovens avaliassem o grau de importância, 13 foram descritos como “muito importante” por mais da metade de todos os entrevistados.
Na comparação de países, os jovens no Brasil parecem ser os mais exigentes, segundo análise do estudo. A proporção de entrevistados que consideram um atributo específico muito ou bastante importante é quase sempre maior do que nos outros três países. 92% citaram um bom chefe, 93% um bom salário, 90% um ambiente generoso e tolerante, 88% empresas que ofereçam oportunidades de treinamento e 91% citaram boa reputação.
“Os millennials são mais bem educados do que qualquer outra geração antes deles. Identificam-se com a carreira e com a profissão, estão preparados para trabalhar muito, mas também têm grandes expectativas em relação ao seu ambiente de trabalho. Especialmente com relação a organizações e gestores que estão enraizados em um mundo mais tradicional e hierárquico, esse choque de culturas às vezes pode ser um desafio”, analisa Cloé.
Na Suíça, os percentuais de importância entre os entrevistados foram 91% (mulheres) versus 69% (homens), nos Estados Unidos 85% versus 70%, em Singapura é 88% versus 79% e no Brasil é 97% versus 87%. Cloé também chama atenção que as mulheres valorizam mais aspectos relacionados a políticas de flexibilidade (home office e de horários da jornada) do empregador, bem como a um ambiente de respeito. “As mulheres de hoje são tão instruídas quanto os homens e desejam ter uma vida profissional de sucesso e boa. Infelizmente, os aspectos culturais e estruturais da sociedade muitas vezes geram várias dificuldades”, diz.
Esta é a segunda Youth Barometer neste formato, mas essa análise já ocorre há nove anos. Segundo Cloé, ao longo dos anos, observa-se que a demanda dos millennials por flexibilidade e autonomia no local de trabalho aumentou.
“Eles estão preparados para investir nas carreiras e estudar de forma contínua, mas querem cada vez mais flexibilidade de horário e de local. Querem acomodar seus empregos em sua vida como um todo. É provável que o desenvolvimento dessas condições seja agora impulsionado pela experiência coletiva que é a crise da covid-19 e pelas mudanças no ambiente de trabalho que foram necessárias para superá-la”, afirma.