Marinha decide transferir dois submarinos IKL-209 para a reserva a fim de vendê-los

Fonte: Poder Naval (23 de agosto de 2019)

Submarinos classe Tupi na Base Almirante Castro e Silva (BACS) em Mocanguê, Niterói – RJ


O Comando da Marinha resolveu transferir para a reserva os submarinos Timbira (S32) e Tapajó (S33), da classe alemã IKL-209/1400, disponibilizando-os para a venda a uma marinha estrangeira.
 
A decisão recebeu, na primeira quinzena do mês, o aval do Almirantado.
 
De acordo com duas fontes navais (inclusive um almirante da reserva), a expectativa é que, no caso da exportação dos navios se concretizar, a Força fature um valor entre 250 e 300 milhões de dólares.
 
As Armadas da Polônia e do Peru são as que estão mais perto de ficar com os IKL da Força de Submarinos (ForSub) brasileira.
A 7 de junho deste ano – durante uma visita oficial do presidente Jair Bolsonaro a Buenos Aires –, o portal de notícias argentino Infobae noticiou que também os almirantes argentinos negociavam com a Marinha do Brasil (MB) a aquisição de até quatro IKLs, como forma de reativar a capacidade operacional do seu Comando de la Fuerza de Submarinos – que, desde o trágico desaparecimento do ARA San Juan, em novembro de 2017, se encontra, praticamente, inoperante.
 
Mas a esses militares falta, no momento, um mínimo de capacidade financeira para investir no negócio.
 

Submarino Tapajó – S33


Nos últimos 13 meses, altas patentes navais argentinas visitaram, por duas vezes, as instalações do Comando da ForSub, na Ilha de Mocanguê (Baía de Guanabara).
 
A 29 de junho do ano passado desembarcou na Base Almirante Castro e Silva (BACS, sede da ForSub), o diretor-geral de Material da Armada Argentina, contra-almirante David Fabián Burden, que se fazia acompanhar pelo Adido Naval da Argentina, capitán de navioJuan Carlos Coré.
 
Os visitantes conheceram as instalações do Centro de Treinamento Tático, que abriga o Simulador de Periscópio (SimPer), e o Treinador de Imersão da Base.
 
A 17 de março deste ano a BACS recebeu o próprio Comandante da Armada Argentina, vice-almirante Marcelo Eduardo Hipólito Srur (que já não está mais no cargo), e sua comitiva.
 

Submarino Timbira, S32


O grupo acompanhou um adestramento no Treinador de Ataque (TA) – simulador destinado a habilitar os submarinistas nos procedimentos de ataque e operações secundárias –, conheceu o Centro de Treinamento Tático (CTT), dedicado ao aprimoramento de combate a bordo de um submarino, assistiu a um “mergulho” no Treinador de Imersão (TI) – utilizado para aperfeiçoar as técnicas de manobra em um navio Classe Tupi, e esteve no Centro Hiperbárico da BACS (referência na área de mergulho saturado no Brasil).
 
Nessa ocasião os argentinos estiveram a bordo do submarino Tapajó.
 
VIAGEM – A notícia de que a Marinha do Brasil (MB) não pensa em continuar com os seus atuais cinco submarinos IKL-209/1400 não é nova, e foi primeiro publicada no Poder Naval.
 
Ela vem sendo tratada em sigilo desde o fim de 2017, quando a diretoria-geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha ainda era chefiada pelo atual ministro de Minas e Energia, almirante de esquadra Bento Albuquerque.
 
No tocante à Polônia, o assunto da comercialização dos IKLs pode ter novo impulso ainda neste semestre, durante as visitas de Estado que o presidente Jair Bolsonaro fará a Varsóvia e a Budapest (compromissos que o próprio chefe de governo brasileiro anunciou, a 18 do mês passado).
 
De acordo com uma nota da sexta-feira da semana passada (16.08), publicada pelo portal americano de assuntos militares Latinamerican Defence and News (LATAMilitary), também na Hungria Bolsonaro terá uma agenda militar a examinar. Nesse caso, a venda de dois a quatro jatos de transporte EMBRAER KC-390 à Magyar Légierö (Força Aérea Húngara).