Margarita Louis-Dreyfus mostra sua força
Fonte: Valor Econômico (08 de janeiro de 2020)
Margarita Louis-Dreyfus pagou US$ 825 milhões a membros da família por uma participação na companhia de agronegócios que carrega seu sobrenome. Um documento da empresa também mostra que a herdeira, nascida na Rússia, tomou emprestado US$ 1 bilhão no Credit Suisse para financiar a compra e usou sua participação de controle na multinacional como garantia no empréstimo.
A Louis Dreyfus Holding BV (LDHBV) é a controladora da Louis Dreyfus Company (LDC), uma das maiores tradings de produtos agrícolas e gêneros alimentícios do mundo. O contrato de penhor de ações, que foi revelado no balanço anual da Akira – o fundo de investimentos da família de Margarita Louis-Dreyfus, registrado na Holanda -, significa que o Credit Suisse poderá, em tese, assumir o controle da LDC se Margarita não pagar ou refinanciar o empréstimo.
“Por volta de 25 de janeiro de 2019, a companhia tomou emprestado US$ 1,03 bilhão do Crédit Suisse (Suíça)”, informou a Akira. “Em antecipação ao empréstimos desses recursos, a LDC prometeu transferir todas as suas ações na LDHBV para o Credit Suisse”.
Margarita Louis-Dreyfus assumiu o controle da LDC em 2009, após a morte de seu marido, Robert-Louis Dreyfus, e desde então aumentou gradualmente seu controle na companhia. Após anos de intensa disputa jurídica, ela finalmente acertou a compra das participações dos membros restantes da família em dezembro de 2018, e adquiriu uma fatia de 16,6% por US$ 825 milhões.
Margarita Louis-Dreyfus nunca revelou como a aquisição foi financiada, mas rebateu acusações de que vinha pressionando sua empresa por resultados melhores para cumprir com o serviço de empréstimos. Sua participação na LDHBV está agora em 96%. “Temos um plano de pagamento [do empréstimo] muito sólido que, de maneira alguma, prejudica os negócios”, afirmou ela ao Financial Times em 2018.
Na prestação de contas anual, a Akira disse que recebeu um dividendo de US$ 241,3 milhões da LDHBV em março de 2019. Também mostrou um empréstimo de US$ 440 milhões – também contraído junto ao Credit Suisse – com vencimento em novembro de 2019, mas não informou se ele foi pago ou refinanciado.
As notícias do contrato de penhor de ações e dos dividendos vem depois de um ano difícil para a LDC, que recentemente lançou um programa de corte de custos em resposta a condições de mercado difíceis.
As incertezas criadas pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, a propagação da peste suína africana na China e em outros países da Ásia e o clima cada vez mais errático tornou a vida muito difícil para a LDC e seus pares, grupo que inclui as americanas Archer Daniels Midland (ADM), Bunge e Cargill.
No primeiro semestre do ano passado, a LDC informou que obteve lucro operacional de US$ 73 milhões, menos que os US$ 91 milhões registrados no mesmo período de 2018. Na ocasião, seu presidente-executivo, Ian McIntosh, disse que as coisas não iriam melhorar no curto prazo.
No mês passado, a companhia anunciou novas mudanças na cúpula administrativa, e Patrick Treuer, um confidente de Margarita Louis-Dreyfus, foi nomeado diretor financeiro. Os detalhes da operação foram anunciados em primeira-mão pela Bloomberg. (Tradução de Mario Zamarian)