Maersk prevê investimento de R$ 5,2 bi em terminais até 2026

Fonte: Valor Econômico (10 de maio de 2023)

A APM Terminals, do grupo Maersk, planeja investir no Brasil, por meio de seus terminais portuários, R$ 5,2 bilhões até 2026, segundo o presidente global da companhia, Keith Svendsen, que falou com exclusividade ao Valor durante sua visita ao país realizada nesta semana.

 

Hoje, uma das prioridades da empresa é tirar do papel a renovação antecipada de seu terminal no Porto de Santos, o BTP (Brasil Terminal Portuário), operado em sociedade com a TIL (subsidiária do grupo MSC). A companhia negocia com o governo federal a prorrogação do contrato, que venceria em 2027, por mais 20 anos.

 

Em troca, a ideia é fazer obras para ampliar e modernizar o terminal, com investimentos de no mínimo R$ 1,54 bilhão – valor que poderá ser maior, já que a ideia da BTP é fazer intervenções adicionais às obrigatórias. O montante poderá chegar a R$ 2,2 bilhões, já nos próximos cinco anos, segundo o grupo.

 

A expectativa da APM é ter uma resposta sobre o processo nas próximas semanas. Questionada sobre o tema, a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) afirmou que em 2022 recomendou ao Ministério da Infraestrutura“a convalidação do plano de investimentos” do BTP. Procurado, o Ministério de Portos e Aeroportos não se manifestou até o momento.

 

Na avaliação de Svendsen, há hoje uma necessidade urgente de investimentos no Porto de Santos, tanto para garantir o aprofundamento do canal de acesso – o que irá permitir a entrada dos novos navios, de maior porte e mais eficientes -, quanto para ampliar a capacidade do complexo portuário, que, segundo ele, está perto do limite.

 

“O porto está 92% cheio hoje. Globalmente, quando um porto atinge 80% de sua capacidade, a operação já fica difícil. Acreditamos que seria preciso dobrar a capacidade de Santos no futuro. Para fazer isso, muitos projetos precisam ser feitos. No curto prazo, nosso foco principal é ampliar a capacidade do terminal [BTP]”, afirmou o presidente.

 

Para além da ampliação do BTP, a APM tem interesse em um novo terminal de contêineres no porto, o STS 10, localizado em área contígua a seu terminal com a TIL. O novo governo, porém, ainda não definiu o futuro do projeto, que em 2022 foi alvo de forte controvérsia.

 

No governo passado, a polêmica sobre o terminal se deu justamente em torno da participação da APM e da TIL no leilão. Pela regra definida em 2022, as empresas poderiam disputar individualmente, mas não juntas, como na BTP. Ainda assim, outros operadores portuários se queixaram da possibilidade de os grupos concorrerem e manifestaram temor quanto a uma concentração de mercado de seus controladores, as empresas globais de navegação Maersk e MSC. Ao fim, a licitação acabou não saindo e agora está em reavaliação.

 

“Caberá ao novo governo e à autoridade portuária definir o plano para o STS 10. Se for um leilão livre, justo e pudermos participar nos mesmos termos de todos os outros grupos, sim gostaríamos de participar”, afirmou Leo Huisman, presidente da APM Terminals Americas.

 

Já em relação à pressão que a Maersk e a MSC têm sofrido no Brasil, por temores de uma concentração do mercado, Svendsen afirma que a experiência em outros países mostra que a preocupação não tem fundamento.

 

“Em Rotterdam [porto nos Países Baixos], há alguns anos, fizemos um grande investimento em um novo terminal e mesma argumentação foi trazida. Hoje, passados dez anos, o que se observa é um mercado que se tornou mais competitivo, o que estimulou investimentos em tecnologia e inovação”, disse ele.

 

Questionado sobre o interesse em eventuais aquisições, como a do terminal da Santos Brasil, Svendsen disse que o foco hoje é a BTP. “Nosso foco primário é modernizar o BTP. O terminal da Santos Brasil é ótimo, certamente haverá muitos interessados. Mas isso não vai ampliar a capacidade do Porto de Santos, seria apenas uma troca de propriedade. O que o porto precisa é de mais capacidade”, afirmou o executivo.

 

Atualmente, para além da BTP, a APM já opera cinco terminais portuários no Brasil: Itajaí (SC), Itapoá (SC), Paranaguá (PR), Rio Grande (RS) e Pecém (CE).

 

Além disso, o grupo se prepara para construir um novo terminal em Suape (PE), em uma área do Estaleiro Atlântico Sul (EAS) que está em fase final de aquisição. O investimento total previsto é de R$ 2,6 bilhões. Para a primeira etapa – contemplada no plano de R$ 5,2 bilhões do grupo -, a ideia é alocar R$ 1,6 bilhão no terminal, que será construído desde o zero. “É um projeto estimulante, estamos rejuvenescendo uma infraestrutura antiga e ampliando a concorrência no porto.”

 

Para além dos dois grandes investimentos – em Santos e Suape -, o pacote de investimentos da companhia para o Brasil também prevê multiplicar por cinco a capacidade de armazenagem no Nordeste e Sudeste do país, além de realizar melhorias no terminal de Itapoá, em logística e serviços.