Leniência leva Ecorodovias a prejuízo de R$ 408 milhões

Fonte: Valor Econômico (30 de outubro de 2019)

O acordo de leniência firmado entre a Ecorodovias e o Ministério Público Federal (MPF), em agosto, derrubou os resultados do grupo no terceiro trimestre deste ano. A companhia teve um prejuízo líquido de R$ 408,6 milhões, revertendo o lucro de R$ 94 milhões registrado no mesmo período do ano passado.
 
O impacto total dos acordos no trimestre somou R$ 466,8 milhões – o que significa que, se não fosse pela provisão feita para honrar os compromissos, haveria um lucro de R$ 58,2 milhões no período.
 
Do montante total provisionado, R$ 400 milhões se referem à leniência em si e outros R$ 66,8 milhões estão ligados aos acordos fechados com ex-executivos que se tornaram colaboradores em delações premiadas. Eles deverão receber os pagamentos por cinco anos, conforme foi aprovado no dia 13 de setembro por uma assembleia geral extraordinária da companhia.
 
O impacto dos acordos também derrubou o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), que ficou negativo em R$ 9,8 milhões. Sem o efeito, o valor teria sido positivo em R$ 515,4 milhões.
 
O acordo com a procuradoria foi firmado em 12 de agosto pela Ecorodovias e suas concessionárias Ecovia Caminho do Mar e Ecocataratas. O grupo se comprometeu a pagar uma multa de R$ 30 milhões. Além disso, a Ecovia deverá arcar com obras de R$ 20 milhões em sua área de concessão, além de R$ 100 milhões em redução tarifária, e a Ecocataratas deverá empregar R$ 130 milhões em obras e R$ 120 milhões em descontos no pedágio – ao todo, serão pagos R$ 400 milhões pelo grupo.
 
A leniência, porém, não é o único efeito negativo nos resultados do grupo – mesmo sem as provisões, o lucro líquido da companhia ainda teria sofrido uma retração anual de 36,5%. Essa queda é explicada pelo menor resultado financeiro, o início da operação de duas concessões – a Eco135 e Eco050 (MGO) – e ao maior custo com cimento.
 
A receita do grupo ficou em R$ 976,5 milhões, crescimento de 26,19% na comparação com 2018. Os custos operacionais e administrativos do grupo subiram 39,3%, para R$ 670,4 milhões. O aumento ocorreu principalmente pela entrada em operação das novas concessões rodoviárias e por obras nas concessões da Ecoponte, Eco101 e da Ecovias dos Imigrantes.
 
A dívida líquida da companhia no trimestre ficou em R$ 6,7 bilhões, uma alta de 2,6% desde o último trimestre encerrado em junho. A alavancagem (relação entre dívida e o Ebitda que exclui as provisões dos acordos de leniência) ficou em 3,3 vezes.