Klabin tem um caixa de R$ 9,8 bilhões

Fonte: Valor Econômico (06 de maio de 2020)

Teixeira, diretor-geral: a reação [do mercado], somada à desvalorização do real, faz esperar ainda melhores resultados na comparação com o primeiro trimestre — Foto: Silvia Zamboni/valor

A Klabin mantém uma posição robusta de liquidez e não vê necessidade de adoção de um plano de contingência neste momento, ou de revisão dos investimentos projetados para 2020, diante da crise desencadeada pela covid-19. Ao mesmo tempo, a companhia, que no primeiro trimestre registrou forte demanda por cartões, embalagens de papelão ondulado e celulose, vê continuidade dessa trajetória no segundo trimestre.
 
Segundo o diretor-geral da Klabin, Cristiano Teixeira, a expectativa para o segundo trimestre é de forte expedição de cartões, embalagens e papéis para embalagens. Na celulose, a previsão é de reação, ainda que tímida, dos preços. “Essa reação, somada à desvalorização do real, nos coloca na posição de esperar ainda melhores resultados na comparação com o primeiro trimestre”, disse, em teleconferência com analistas.
 
Com um projeto de expansão de R$ 9,1 bilhões em investimento bruto em curso, a companhia preparou seu balanço em 2019 para amortecer os desembolsos pesados previstos para os próximos três anos e, para vencimentos de cerca de R$ 1 bilhão por ano nesse intervalo, tinha em caixa R$ 9,8 bilhões no fim de março. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da empresa, Marcos Ivo, em diferentes cenários testados, não há indicação de risco de liquidez.
 
“Então, enxergamos com bastante conforto a nossa posição, mesmo em um cenário de preços pior do que a média vista pelos analistas”, comentou o executivo. “Em diversos testes, em nenhum deles a gente vê a companhia com risco de liquidez. Portanto, não há necessidade de plano de contingência neste momento”, acrescentou.
 
A Klabin encerrou o primeiro trimestre com dívida líquida de R$ 20,4 bilhões, alta de 42% ante dezembro, atribuída principalmente à desvalorização do real frente ao dólar. A alavancagem financeira medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda em real ficou em 4,7 vezes, frente a 3,3 vezes três meses antes, e analistas projetam que o índice vai superar 5 vezes no fim do ano.
 
Questionado sobre a possibilidade de a companhia adiar desembolsos relativos ao Puma II, que começa a entrar em operação em 2021, Ivo afirmou que a companhia é geradora de caixa em qualquer cenário, mesmo com os dispêndios relativos ao projeto, e portanto não vê necessidade de mudança no cronograma. Neste ano, a Klabin vai aplicar R$ 3,8 bilhões no projeto e R$ 900 milhões no restante da operação, totalizando R$ 4,7 bilhões em investimentos.
 
Em relação ao desempenho dos negócios no trimestre em curso, o diretor de embalagens da companhia, Douglas Dalmasi, disse que os volumes de expedição de embalagens, que englobam caixas de papelão ondulado e sacos industriais, em abril e maio ficaram muito parecidos com aqueles vistos nos mesmos meses do ano passado, puxados por alimentos, limpeza e higiene. “Também percebemos o comércio eletrônico forte”, disse.
 
A Klabin deu entrada ao pedido de análise da compra do negócio de embalagens da International Paper (IP) no Brasil em 17 de abril e o processo deve seguir o rito ordinário, com duração de alguns meses, acrescentou.
 
No negócio de papéis da Klabin, conforme Flavio Deganutti, a demanda aquecida por alimentos, higiene e produtos de limpeza beneficia as vendas da companhia, que usa fibra virgem em seus produtos, mas a covid-19 lança incertezas sobre a relação entre oferta e demanda global a partir de junho ou julho. “Os estoques caíram nesse período, portanto é bastante benigno o cenário. Mas há incertezas à frente e não conseguimos olhar muito além de junho ou julho”, disse.
 
Na celulose, a Klabin concluiu em abril a implementação do aumento de US$ 20 por tonelada de fibra curta no mercado chinês, anunciado em fevereiro, e está buscando mais US$ 10 por tonelada junto a determinados clientes, para acompanhar o movimento de outros produtores que anunciaram reajuste de US$ 30.
 
A companhia ainda não fez anúncio oficial de reajuste de preços na Europa e na América do Norte para maio, como outros produtores fizeram, mas está monitorando o mercado.