Incremento do transporte fluvial passa por ajustes na administração, regulamentação e ambiente de confiança para o mercado

Fonte: Fórum Brasil Export (25 de setembro de 2020)

O Brasil Export e a Associação Brasileira de Entidades Portuárias e Hidroviárias (Abeph) celebraram nesta quinta-feira, 24 de setembro, o terceiro webinar Enaph, concluindo a série de iniciativas preparatórias para o evento que será celebrado em Brasília no dia 23 de novembro. Dezenas de lideranças no setor de logística e de infraestrutura portuária participaram do debate sobre perspectivas e possibilidades para o incentivo ao transporte fluvial, com o objetivo de tornar realidade um melhor equilíbrio na matriz de transportes nacional.
 
Mayhara Chaves, presidente da Associação e Conselheira do Nordeste Export, falou sobre a sua jornada para resgate da letra H da sigla Abeph, incluindo as dificuldades por não existirem mais entidades hidroviárias correspondentes às companhias docas no setor de portos marítimos. Para reverter esse panorama, ela destacou o trabalho que vem realizando no sentido de alinhar objetivos estratégicos e disseminar conhecimentos sobre o transporte hidroviário, ambos dentro do escopo dos trabalhos estabelecidos pela organização do Enaph.
 
Dino Antunes, diretor do Departamento de Navegação e Hidrovias da Secretaria Nacional de Portos, celebrou a iniciativa de profissionais de negócios e grupos empresariais de investir na produção agrícola e buscar soluções logísticas por meio da navegação interior. “Somente no Tapajós já movimentamos mais de 10 milhões de toneladas em 2019. Sabemos que a melhor saída é pelo Norte”, destacou. Dino citou também o potencial de movimentação de cargas pela Hidrovia Araguaia-Tocantins, que com os ajustes necessários poderá receber operações que totalizem até 24 milhões de toneladas anualmente.
 
Dentre os desafios para expandir o transporte de cargas na navegação interior estão os conflitos com o setor de energia, que também explora as bacias hidrográficas, a inexistência de entidades que administrem as hidrovias – todas elas extintas nos últimos anos – e a falta de confiança do mercado, que vê o Brasil patinar e concentrar cargas no modal rodoviário ao longo das últimas seis décadas. Dino Antunes observou, também, que a operação de eclusas não é regulamentada e que as negociações dentro do Poder Executivo para garantir maior malha de rios navegáveis irá demandar competente articulação multissetorial.
 

“Mas a gente tem que ter essa discussão. Não podemos ficar fugindo disso se queremos ter a longo prazo o setor hidroviário como solução logística”.

 
De acordo com as estatísticas divulgadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), em 2019 foram transportadas 40,3 milhões de toneladas de cargas nas hidrovias brasileiras. Somente no Rio Tapajós, foram 10,9 milhões de toneladas (27%) e no Rio Madeira outras 9 milhões de toneladas (22,4%), ou seja, quase 50% do volume total movimentado. Assim como a BR do Mar deu luz à cabotagem no País, refletiu Dino, a BR do Rios poderá fazer muito pela navegação interior.