Importações de alumínio devem atingir 150 mil toneladas este ano

Fonte: Valor Econômico (18 de novembro de 2019)

As importações de alumínio semi-manufaturados estão em franca expansão pelo Brasil. No ano passado, as compras de chapas, folhas e perfis chegaram a 110 mil toneladas. Em 2019, esse volume deve saltar para 150 mil toneladas.
 
O presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Alumínio (Abal), Milton Rego, disse, ao Valor, que com a maior parte desse metal importado vem da China, pois, com as restrições comerciais impostas ao produto chinês em alguns países da Europa e nos Estados Unidos, o escoamento da produção é feito em economias sem salvaguardas.
 
“Hoje, há um excesso de capacidade instalada no mundo de 2,5 milhões toneladas e isso na China. Eles produzem muito mais que o consumo interno e o restante é exportado. Por isso, não me surpreenderia se o ritmo de importação de alumínio chinês pelo Brasil permanecesse o mesmo em 2020”, disse Rego.
 
Segundo ele, o Brasil é importador também de alumínio primário, mas para suprir a produção de semi-acabados no mercado interno. Neste ano, de acordo com estimativas da Abal, essas compras devem girar em torno de 250 mil toneladas.
 
O consumo interno de alumínio neste ano, segundo Rego, deve voltar aos patamares de 2013, o melhor ano para o segmento. De acordo com as expectativas da Abal, as vendas internas devem girar em torno de 1,45 milhão de toneladas, alta de 9% em relação a 2018. Em 2013, o consumo aparente alcançou 1,51 milhão. “Esperávamos uma evolução maior no início deste ano, com alta de pelo menos dois dígitos.”
 
Para 2020, a estimativa da Abal é de um crescimento no consumo interno de 5%, alcançando um volume de 1,5 milhão de tonelada.
 
“Estamos vendo uma recuperação dos mercados. Neste ano, o que sustentou o crescimento foi o segmento de embalagens. Bens não duráveis são menos impactados em crises econômicas. Já os setores de bens de capital e construção civil são os primeiros a sentir e os que tem a recuperação mais lenta. Mas, acreditamos que em 2020 a construção civil, principalmente, deverá apresentar crescimento.”
 
O dirigente ressaltou que a alta dos lançamentos de imóveis residenciais e comerciais neste ano deve se refletir no mercado de alumínio em 2020. “O alumínio é usado no acabamento da obra, demora mais um pouco para sentir essa melhora.”
 
Neste ano, a produção de alumínio deverá atingir 865 mil toneladas, alta de 8,5% no comparativo com 2018. Mas o dirigente ressalva que esse aumento foi em função da volta de parte da operação da Alunorte no Pará. “Esse crescimento se dá em razão de questões internas e não por melhora do mercado. Ainda temos paradas 300 mil toneladas no país sem previsão de volta da operação.”