Importações chinesas de soja mantêm ritmo acelerado
Fonte: Valor Econômico (15 de julho de 2020)
As importações chinesas de soja alcançaram o recorde mensal de 11,16 milhões de toneladas em junho, segundo informações da agência Reuters baseadas em dados do serviço aduaneiro do país. Em relação a maio, houve crescimento de 19%, e na comparação com junho de 2019 o volume foi 71% maior.
Boa parte das compras voltou a ser originada no Brasil. A China intensificou as importações do grão brasileiro a partir de março, depois de uma melhora do clima e em linha com a normalização das operações em seus portos.
“A soja brasileira estava barata e as margens de processamento em junho ficaram realmente boas. Assim, processadores [chineses] agendaram um monte de cargas”, disse Xie Hullian, analista da consultoria agrícola Cofeed, à Reuters.
“Processadores assinaram muitos contratos com consumidores finais e realizaram pré-vendas de um volume grande de farelo, para travar os lucros”, acrescentou. Indústrias de soja da China, que no início do ano tiveram que parar operações devido à redução da oferta do grão, agora já sofrem com excesso de estoques.
Ainda assim, as importações neste mês deverão continuar acima dos níveis normais e superar 9 milhões de toneladas, segundo fontes de mercado. “As importações em julho devem atingir 10 milhões de toneladas, com a maior parte dos carregamentos vindo do Brasil”, afirmou a analista Monica Tu, da Shanghai JC Intelligence, à Reuters.
De acordo com a consultoria Agricensus, os chineses acertaram a compra de 16 carregamentos de soja na semana passada, oito ou nove dos EUA e o restante do Brasil, já referentes a contratos para entrega na safra 2020/21. Brasil e EUA lideram as exportações mundiais de soja, enquanto a China é o principal país importador.
Segundo a consultoria, foi o maior volume semanal importado por esmagadores chineses desde meados de junho do ano passado. As compras foram realizadas por estatais como Cofco e Sinograin e também por tradings globais como Wilmar e o grupo “ABCD” — ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Company.