Gestão privada deve pôr fim a interferência de políticos

Fonte: Valor Econômico (28 de setembro de 2020)

Além dos ganhos de eficiência na gestão, outro possível benefício da desestatização do Porto de Santos poderá ser o fim de décadas de interferência política direta em sua administração, que foi marcada por indicações de partidos – como o MDB, o PL e o PSB – e investigações por suspeitas de corrupção, avaliam fontes do setor privado ouvida pela Valor.
 
O MDB, do ex-presidente Michel Temer, é apontado como o grupo que teve maior influência sobre o porto desde o fim da década de 1990, quando o partido passou a ser responsável por uma série de indicações para cargos no comando da então Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp, hoje SPA).
 
A avaliação é que o partido nunca deixou de ter poder sobre a gestão, mas, a partir do primeiro governo petista, a autoridade portuária passou a ser um feudo político do então PR (Partido da República), que depois se tornou PL (Partido Liberal), comandado por Valdemar Costa Neto. A partir da criação da Secretaria Especial de Portos, em 2007, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) também passou a ter um peso grande nas indicações a cargos no porto.
 
Já nos últimos anos da era petista e durante o governo de Michel Temer, o MDB voltou a ter mais relevância nas indicações. Nesse período, o PRB (atual Republicanos), de Celso Russomano, também ganhou importância política na região santista.
 
As denúncias de corrupção também marcaram a história recente do porto. No fim de 2018, uma operação da Polícia Federal chegou a prender o então presidente da Codesp José Alex Botelho de Oliva e diretores da estatal, por suspeita de integrarem um esquema de fraudes em licitações para contratar sistemas de tecnologia – os acusados negam as irregularidades.
 
Há ainda os casos de investigação ao ex-presidente Temer, denunciado por supostamente aceitar propina para editar o Decreto dos Portos, que favoreceu empresas que atuam em Santos. Ele também nega as acusações.
 
A reportagem procurou, por meio de contatos oficiais e assessorias de imprensa, o ex-presidente Michel Temer, o MDB, o Republicanos, Russomano, o PSB e o PL, mas nenhum dos grupos enviou posicionamento sobre o assunto até a conclusão deste texto.