Fusões e aquisições aceleram e batem recorde no 1º tri de 2021, diz PwC Brasil
Fonte: Valor Econômico (31 de maio de 2021)
O primeiro trimestre de 2021 bateu recorde de fusões e aquisições para o período, totalizando 333 transações, mostra levantamento inédito da consultoria PwC no Brasil obtido pelo Valor. O avanço ante o mesmo período de 2020 é de 50%.
O mês de março acumulou 145 transações, um salto de 169% em relação ao mesmo mês de 2020, que teve 54 transações. A expectativa da consultoria é de que o ano seja de novo recorde, com mais de 1200 transações. Em 2020, foram 1038.
“É um movimento em processo, que acredito que vai continuar crescendo ao longo dos anos. E é o setor de tecnologia que está especialmente puxando os M&As [sigla em inglês para fusões e aquisições]”, diz Leonardo Dell’Oso, sócio-diretor da PwC.
O executivo lista, além da pandemia da covid-19, algumas razões para a aceleração dos negócios. Entre os catalisadores estão: os juros baixos, o câmbio apreciado e a liquidez do mercado. As ofertas de ações tanto de abertura de capital quanto ofertas subsequentes também têm ajudado, uma vez que tais captações tendem a serem feitas para aquisições.
Além do setor de tecnologia, destacam-se os setores de serviços auxiliares, serviços públicos, financeiros e educação. Juntos, esses mercados responderam por 70% das transações no trimestre.
Outro importante destaque é que parte expressiva dos compradores são nacionais: 80% das aquisições e compras minoritárias foram com investidores brasileiros.
“Temos visto movimentação crescente entre empresas brasileiras, movimentações domésticas. Isso mostra a maturidade do mercado brasileiro para fusões e aquisições e a preocupação da empresa brasileira em se reestruturar e buscar alternativas para sair da crise.”
Na comparação com 2020, porém, já é possível observar um aumento de 29% envolvendo investidores estrangeiros, em 62 transações. Estados Unidos, França e Argentina foram responsáveis por 52% das operações.
Os negócios realizados no período também reforçaram a percepção do maior apetite de fundos. Das 333 transações do trimestre, 92 envolveram private equity, 35% mais do que mesmo intervalo de 2020. “Eles têm participado cada vez mais. Ficaram afastados no ápice da crise, mas no consolidado há um crescimento de fundos. Estão muito capitalizados e buscando negócios”, diz Dell’Oso.
