Exportações de Sorocaba caem em 2019
Fonte: Jornal Cruzeiro (20 de janeiro de 2020)

O município exportou US$ 1,01 bilhão em 2019 ante US$ 1,301 em 2018; em 2012 tinham sido US$ 1,79 bilhão. Crédito da foto: Emídio Marques / Arquivo JCS (23/8/2018)
O déficit da balança comercial sorocabana, conforme dados do Ministério da Economia, fechou em US$ 1,1 bilhão no ano passado e a exportação foi a menor da década. Em 2019 o município arrecadou, com produtos enviados a outros países, US$ 1,01 bilhão. Já a importação atingiu US$ 2,2 bilhões. Em 2018, as exportações foram de US$ 1,301 bilhão enquanto as importações somaram US$ 2,235 bilhões.
O déficit no saldo da balança, porém, segundo o economista Geraldo Almeida, que também é o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), não pode ser considerado algo negativo, já que importar componentes é uma característica de Sorocaba para a produção de itens posteriormente comercializados no mercado interno e externo.
Almeida explica que por ser uma cidade forte no setor industrial, Sorocaba faz a compra de muitas peças e componentes de outros países. “Várias montadoras instaladas na cidade, por exemplo, importam para concluir aqui o produto final”, explica. Ele destaca que a cidade precisa voltar a crescer na exportação, mas afirma que o resultado de 2019 é influência da longa crise da qual o País se recupera lentamente. O ano recorde de exportação do município, segundo dados da balança comercial, foi 2012, quando atingiu US$ 1,79 bilhão.
Exportação de serviços
Geraldo Almeida defende que a cidade precisa começar a investir também na exportação de serviços, e exemplifica a Índia como um País pioneiro no setor. “As questões fiscais no Brasil são muito mais complicadas. Na Índia exporta-se serviço de call center, de TI, entre outros”, destaca. Almeida considera que as exportações em Sorocaba sofreram queda por conta da crise na Argentina. “Muitos itens fabricados aqui eram comercializados com o país vizinho.”
A recessão argentina também foi apontada pelo diretor do Ciesp Sorocaba, Erly Domingues de Syllos, como um dos principais fatores para a queda nas exportações sorocabanas. “Somente no caso da Toyota, 1/3 dos carros fabricados aqui eram comercializados na Argentina e essa transação caiu bruscamente no ano passado.” Syllos destaca que a crise econômica no país agora governado por Alberto Fernández pode durar um período estendido, até que haja estabilização.
Ranking nacional
Somente em dezembro, empresas da cidade exportaram US$ 92,3 milhões e importaram US$ 155,5 milhões. De acordo com os dados da balança comercial, entre janeiro e novembro do ano passado, as exportações representaram 2% do total do Estado de São Paulo — Sorocaba aparece no 9º lugar do ranking estadual. No ranking nacional de exportação, Sorocaba aparece em 47º. Já as importações contribuíram com 3,7% do total estadual, colocando o município em 7º no ranking estadual e em 17º no nacional.
Na indústria, o segmento de máquinas, aparelhos e materiais elétricos foi o responsável por aproximadamente 44% das exportações de Sorocaba realizadas no ano passado, enquanto material de transporte ficou com a fatia de 39%. As fabricantes de metais comuns — como ferramentas — exportaram cerca de 3% do total da cidade, enquanto produtos químicos, polímeros, produtos ópticos e alimentos representaram cerca de 4% de tudo que foi vendido a outros países.
De acordo com Syllos, o Ciesp vem trabalhando em conjunto com o Conselho Municipal do Desenvolvimento Econômico e Social de Sorocaba — também presidido por ele — para atrair novas indústrias. “Há menos de três meses foi aprovada uma lei que incentiva a instalação de empresas na cidade, com texto moderno. Nosso trabalho é viabilizar o mais rápido possível a legalização das indústrias interessadas em ter Sorocaba como sede, já que isso significa geração de emprego e movimento econômico”, destaca.
Condições favoráveis
O dirigente empresarial lembra que Sorocaba, por si só, já oferece condições favoráveis aos negócios, visto que possui um porto seco (estação aduaneira), além da proximidade com o porto de Santos e o aeroporto de Viracopos, em Campinas. “Temos também faculdades e universidades de alto nível, que lançam no mercado muita mão de obra qualificada.” Impulsionando a expansão do parque industrial da cidade, Syllos acredita que a expectativa para os próximos anos é positiva e as importações e exportações tendem a crescer. (Larissa Pessoa)