"Empresas precisam olhar para bem-estar e produtividade e não escolher um dos dois"
Fonte: Valor Econômico (04 de novembro de 2020)
As empresas com mais flexibilidade no modelo de trabalho, que construíram uma cultura organizacional de mais autonomia e que estimularam as relações de confiança entre os empregados sairão melhor da crise. Esse direcionamento permitirá com maior facilidade manter a produtividade em um contexto econômico instável e considerando um modelo de ‘carreira híbrida’, que pode manter o trabalho remoto ou realizado de novo do escritório. Essa é a análise de Marco Tulio Zanini, professor pesquisador da FGV EBAPE e especialista em cultura e comportamento organizacional.
“É nesse momento de crise que fomos entender quais foram as organizações que investiram efetivamente em projetos de cultura, mais flexíveis e menos controladoras, e na formação de lideranças para lidar com os novos desafios do trabalho. A tendência é que aquelas que continuaram apostando em mecanismos de comando e controle baixem a produtividade pelo menor engajamento e maior absenteísmo dos funcionários”, disse Zanini em entrevista à editora do Valor Stela Campos, na série de lives ‘Carreira em Destaque’.
Para Zanini, “mais do que nunca”, o que está em jogo nas empresas bem-sucedidas atualmente e capazes de virar o modelo de negócios para lidar com as consequências da pandemia é “o vínculo do empregado/executivo com sua organização”. Construi-lo exige uma cultura de confiança, mas também transparência de informações, comunicação frequente entre gestor e funcionário e o reconhecimento de que cada profissional enfrenta desafios e problemas específicos.
Principalmente na consideração sobre quando e quem deve voltar aos escritórios, “é preciso atuação direta das liderança com suas equipes. O líder, nesse momento, tem que se provar nas suas maiores habilidades interpessoais”. Na visão do professor, não dá para ter um trade-off entre “bem-estar e produtividade”. “Não dá para lidar com a situação escolhendo manter a produtividade em troca de bem estar. Não é um ou outro. Mesmo porque a saúde e a segurança das pessoas se tornaram mais relevantes do que nunca”.