Eldorado vê perspectiva positiva no 2º tri
Fonte: Valor Econômico (16 de maio de 2022)
Depois de lucrar R$ 1,06 bilhão nos três primeiros meses do ano, a Eldorado Brasil manteve a perspectiva positiva para os resultados do segundo trimestre, à medida que os preços da celulose seguem em elevação em todas as regiões e clientes que estão em mercados mais estáveis, como os de papéis de higiene e embalagens, têm peso maior em sua carteira.
De acordo com o diretor financeiro e de relações com investidores Fernando Storchi, o início de ano foi marcado por ambiente positivo de preços, ao mesmo tempo em que o dólar se desvalorizou. “A alta de preços compensou a pressão inflacionária e o câmbio”, observou. Agora, as cotações da celulose estão ainda mais elevadas e o dólar se recuperou. “Com preços consolidados, o segundo trimestre tende a ser melhor”, afirmou.
A Eldorado seguiu os demais produtores sul-americanos e aplicou reajuste de US$ 30 em maio no mercado asiático, elevando a US$ 810 por tonelada o preço na região. Na sexta-feira, a Fastmarkets Foex divulgou que o preço líquido da fibra curta chegou a US$ 811,91 por tonelada na China, alta de US$ 18,90 em uma semana. No mês, o aumento é de US$ 30,20 confirmando que o reajuste de US$ 30 foi integramente aplicado.
Os preços de revenda da celulose no mercado chinês também voltaram a subir, de acordo com o BTG Pactual. Em relatório, o banco aponta que esse valor chegou a US$ 815,57 por tonelada, com avanço de US$ 33,70 em uma semana. A oferta global limitada em um momento de demanda firme e restrições logísticas que têm provocado atraso na chegada de celulose ao mercado chinês e na Europa sustentam a valorização da matéria-prima.
No primeiro trimestre, o lucro bilionário da Eldorado, cujas sócias J&F Investimentos, dona da JBS, e Paper Excellence (PE) seguem disputando o controle da companhia na Justiça, decorreu do bom desempenho operacional e de ganhos com variação cambial de R$ 694 milhões na marcação a mercado da dívida em moeda estrangeira.
A Eldorado, que opera uma fábrica em Três Lagoas (MS), teve receita líquida de R$ 1,4 bilhão, crescimento de 10,6% na comparação anual puxado pelos preços mais altos da celulose. No intervalo, a produção da fibra caiu 2,5%, para 428 mil toneladas da fibra, e as vendas recuaram 3,8%, a 426 mil toneladas. Frente ao quarto trimestre, o volume comercializado caiu mais, 8,8%, na esteira também do congestionamento nos portos da Europa e da China.
Com a realização de preços que mais do que compensaram a valorização do real frente ao dólar, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou R$ 840 milhões, 20,3% superior ao registrado um ano antes. O preço médio da celulose vendida pela companhia ficou em US$ 678 por tonelada, alta de 7% frente ao quarto trimestre e de 36% na comparação anual.
Segundo Storchi, a maior exposição dos negócios aos segmentos de tissue, embalagens e papéis especiais, que respondem por cerca de 80% do mix de vendas, contribui para a realização de preços acima da média. “É um mix muito focado em mercados essenciais”, observou. A margem Ebitda alcançou 58,2%, contra 53,4% um ano antes e 49,9% no quarto trimestre, beneficiada também pela alta moderada do custo caixa de produção, a despeito da pressão inflacionária – todos os produtores registraram aumento importante nessa conta, na esteira dos produtos químicos e energéticos mais caros.
O custo caixa ficou em R$ 803 por tonelada, queda de 4,4% ante os três últimos meses de 2021 e aumento de 8,1% em um ano. Segundo o executivo, o maior mix de madeira própria garantiu a competitividade da operação.
Na logística, explicou, a Eldorado segue com distribuição diversificada e, embora utilize contêineres, não sentiu integralmente o forte aumento dos preços internacionais por não estar exposta ao mercado spot. “Houve aumento de custos, mas como temos contrato, a volatilidade não é tão elevada”, afirmou.
Ao fim de março, a alavancagem financeira da Eldorado em reais estava em 1,2 vez, a mais baixa da história. Em dólares, o índice caiu de 1,43 vez para 1,35 vez.