E-mails grosseiros aumentam o estresse no trabalho

Fonte: Valor Econômico (14 de outubro de 2020)

Um novo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Illinois, de Chicago (EUA), indica que lidar com e-mails de trabalho agressivos ou rudes pode criar uma situação de estresse prolongado, gerar angústia e prejudicar o bem-estar dos funcionários. Os resultados foram apresentados recentemente no Journal of Occupational Health Psychology e indicam que mensagens eletrônicas mal educadas geram um efeito negativo na produtividade, nas responsabilidades dos indivíduos com relação ao trabalho e, inclusive, podem estar relacionadas à insônia e emoções negativas pela manhã.
 
Para investigar e correlacionar o efeito entre e-mail e emoções negativas, os pesquisadores analisaram 233 funcionários de empresas americanas e coletaram dados sobre a troca de mensagens eletrônicas. Depois, conduziram um segundo estudo para analisar como essa troca afetava o bem-estar ou o sono. Há duas formas de ser grosseiro ou rude no e-mail, segundo Zhenyu Yuan, um dos autores do estudo, e professor assistente do departamento de gestão da Universidade de Illinois. Uma é enviando mensagens grosseiras, com comentários humilhantes ou depreciativos para o destinatário. A outra é ignorando um pedido ou uma opinião enviada pelo remetente.
 
As duas formas, segundo Yuan, causam estresse – seja porque as pessoas podem ficar olhando várias vezes a mensagem grosseira, seja porque ficam na expectativa de um retorno de algo que enviaram. No acumulado de trocas rudes, os efeitos negativos vão aumentando e influenciando outros aspectos do bem-estar do profissional. Para mitigar essa situação, segundo os pesquisadores estudo, é primordial que após um dia estressante de trabalho, ou com trocas de e-mails rudes, os profissionais se desliguem da caixa de mensagens e do trabalho por várias horas.
 
“E, sempre que possível, os gestores precisam deixar claro qual é a expectativa – e que ela seja razoável – a respeito das comunicações por e-mail”, diz Yuan. Nesse sentido, ele defende que é fundamental que esse alerta não vire uma obsessão, com gestores pressionados a responderem tudo e rapidamente. “Ao contrário: é mais eficaz, para os dois lados, estabelecer normas de comunicação claras, transparentes e razoáveis”.
 
O alerta vem após a pandemia elevar o número de empresas que adotaram o trabalho remoto, intensificando trocas de mensagens virtuais e ao crescimento de relatos e situações relacionados à saúde mental das pessoas. Um estudo deste mês revelou que, entre 11 países analisados, os trabalhadores do Brasil são os que mais perdem o sono devido ao estresse e ansiedade relacionados ao trabalho durante a pandemia. O levantamento que ouviu 12 mil profissionais, e foi feito pela Oracle com a Workplace Intelligence, também indica que 42% dos brasileiros e 35% dos entrevistados globais estão trabalhando mais de 40 horas extras por mês e 21% dos trabalhadores brasileiros estão enfrentando burnout, síndrome de esgotamento profissional.