Diversificação vai além de 'distribuir os ovos' em mais de uma cesta, dizem gestores
Fonte: Valor Investe (16 de julho de 2020)
Não colocar todos os ovos na mesma cesta é o mantra de todo investidor que busca diversificação em sua carteira. Mas de nada adianta distribuir seus ovos – ou aplicações – em cestas diferentes se elas forem feitas do mesmo material e, assim, correrem o risco de ser rompidas pelo mesmo tipo de risco – e quebrando todos os ovos dentro delas.
Assim, torna-se imprescindível a escolha de investimentos descorrelacionados entre si, ou seja, que não caminham na mesma direção e intensidade que outros ativos, para garantir uma carteira mais equilibrada do ponto de vista de risco e retorno.
“Não adianta colocar dinheiro em fundos que sigam o mesmo estilo. É bom ter vários estilos para ter um ‘descorrelacionamento’ maior nos seus investimentos”, disse Rodrigo Maranhão, sócio e gestor da Kadima Asset, durante debate na Expert XP, evento on-line promovido pela XP Investimentos, nesta quarta-feira (15).
De acordo com Francisco Funari, gestor da Canvas e que também participou do debate, o primeiro passo para a diversificação é por classe de ativos, distribuindo entre renda fixa e variável, por exemplo.
O segundo passo é a diversificação geográfica, ou seja, não adianta ter diversos tipos de aplicações se todas elas estão expostas à economia brasileira ou a países exportadores de petróleo, por exemplo.
“Não adianta diversificar em termos de classe de ativos se tem algum fator concentrando o risco”, explica Funari.
No contexto de diversificação, Stefano Sergole, sócio e diretor de distribuição da Hashdex, defende as aplicações em criptoativos, que têm desempenhos descorrelacionados dos mercados tradicionais.
“O mercado de criptoativos tende a crescer em função da evolução de novos projetos e da maior adoção da sociedade, em um movimento muito parecido com o que aconteceu com o a internet no começo”, disse.
Sergole avalia que, mesmo com a alta volatilidade inerente dos criptoativos, uma pequena dose de exposição nesse tipo de aplicação permite ao investidor aumentar seu potencial de ganho sem elevar o risco na mesma amplitude.
“Nossa orientação é não ficar de fora do mercado de criptoativos. Ter zero pode sair caro no longo prazo”, diz Sergole.
Contudo, diversificar seus investimentos não te deixa blindado de eventuais choques de curto prazo, como o trazido pela pandemia de covid-19, por exemplo, em que os efeitos negativos atingiram uma escala global e em diversos setores.
Por isso, o plano de investimentos deve ser de longo prazo, apontam os gestores.
“No curto prazo os investimentos podem ter variações expressivas e isso só reforça a importância de ter um horizonte de longo prazo. É não ter medo de explicar e diversificar cada vez mais a sua carteira”, disse Francisco Funari, gestor da Canvas.
