Dificuldade para mudar atitudes em relação à covid-19 independe de renda, diz estudo
Fonte: Jornal USP (17 de junho de 2020)

Cariocas vão à praia apesar de decreto do governo do Estado impedindo a aglomeração de pessoas – Foto: Tomaz Silva/Agencia Brasil
Um pesquisador do Instituto de Psicologia (IP) da USP investigou os pontos críticos no comportamento das pessoas em relação à covid-19 e descobriu que renda e escolaridade não influenciam quando o assunto é a dificuldade de mudar as atitudes para se proteger do coronavírus. Ele descreveu os resultados do estudo em um artigo publicado na Revista de Saúde Pública. A pesquisa foi realizada entre os dias 17 e 24 de março por meio de um questionário on-line distribuído por redes sociais e indicação de participantes a seus conhecidos. No total, 276 pessoas responderam, todas residentes em São Paulo.
Segundo o autor do estudo, o professor Marcelo Fernandes Costa, a ideia foi utilizar uma ferramenta que permitisse comparar respostas individuais. Assim, os participantes usaram uma espécie de “régua” para responder a perguntas que diziam respeito a riscos, sintomas e comportamentos relacionados à covid-19. Essas perguntas serviram para analisar a percepção das pessoas tanto no que diz respeito à susceptibilidade ao vírus e à severidade da doença, quanto aos benefícios em adotar determinados comportamentos positivos ou barreiras para praticá-los. Os participantes também responderam questões sobre hábitos para melhorar a saúde em geral.
“Tem gente que acha que vai ter poucas dificuldades em se comportar para evitar a infecção pelo coronavírus e tem outras pessoas que acham que vão ter grande dificuldade. O nosso estudo mostrou que essa grande dificuldade não está relacionada ao status socioeconômico. Ou seja, não é (pelo) fato de precisar trabalhar que eu acho que me exponho mais. Gente que está dentro de casa acha que está correndo o mesmo risco, e tem gente que sai para trabalhar e acha que está correndo pouco risco. Pessoas com alta escolaridade percebem grandes barreiras, pessoas com alto poder aquisitivo percebem grandes barreiras”, diz ele.
Devido à forma como o questionário foi distribuído, a amostra acabou concentrando um público de maior escolaridade e renda média e alta. No entanto, Costa acredita que essas características não prejudicam os resultados. O motivo é que, embora haja uma convergência entre os participantes no entendimento de que atitudes como o uso de máscaras são relevantes para a proteção contra o coronavírus, houve divergências consideráveis em outros aspectos.
