Cresce a lista de países com restrições a embarques de alimentos

Fonte: Valor Econômico (17 de maio de 2022)

Índia vai proibir exportação de trigo; guerra abalou oferta de grãos, e governos têm respondido ao problema impondo ainda mais restrições ao comércio – Foto: Pankaj Nangia/Bloomberg

 

A guerra entre Rússia e Ucrânia restringiu ainda mais a oferta global de grãos e óleos vegetais. Em um novo capítulo desse movimento, a Índia, segunda maior produtora de trigo do mundo, anunciou no último sábado (14/5) que decidiu proibir os embarques do cereal, ampliando a lista dos países que adotaram medidas semelhantes como resposta aos problemas de abastecimento de itens alimentícios.

 

Antes do conflito, Rússia e Ucrânia respondiam por 27% das exportações globais de trigo, 18% de milho e 77% de óleo de girassol. Com o fechamento dos portos do Mar Negro, os ucranianos ficaram sem sua principal rota de embarque de produtos como óleo de girassol, do qual o país é o maior produtor global; e os russos, líderes nas exportações de trigo, também passaram a enfrentar problemas para vender ao exterior.

 

No restante do mundo, muitos países têm respondido à limitação de oferta com a imposição de suas próprias restrições ao comércio. Alguns dos maiores produtores internacionais de alimentos básicos já anunciaram a adoção de cotas de exportação ou mesmo o veto a novos embarques.

 

Os governos afirmam que as medidas de restrição às vendas para o mercado externo são uma necessidade. Em geral, eles alegam que, com o veto aos embarques, pretendem garantir a oferta de produtos essenciais para a alimentação humana e dos rebanhos em seus mercados internos.

 

Abaixo, algumas das principais medidas de restrição às exportações de produtos agrícolas anunciadas desde o início da guerra:

 

UCRÂNIA – GRÃOS E ÓLEOS

A Ucrânia fechou seus portos logo após o início da guerra com a Rússia, na última semana de fevereiro. Mais tarde, o governo ucraniano proibiu a exportação de centeio, cevada, trigo sarraceno, milho, açúcar, sal e carne e introduziu licenças de exportação para trigo, milho e óleo de girassol.

 

ARGENTINA, HUNGRIA, SÉRVIA E BULGÁRIA – GRÃOS E ÓLEOS
A Argentina disse que estabeleceria um mecanismo para controlar os preços domésticos do trigo e moderar a inflação dos alimentos. No Leste Europeu, a Hungria proibiu todas as exportações de grãos, a Sérvia restringiu as quantidades de trigo, milho, farinha e óleo de cozinha destinados à exportação e a Bulgária disse que aumentaria as reservas de grãos e poderia restringir as exportações.

 

INDONÉSIA – ÓLEO DE PALMA
Maior produtor de óleo de palma do mundo, a Indonésia anunciou no fim de abril a proibição dos embarques do produto, em uma tentativa de garantir o abastecimento doméstico e reduzir os preços. As cotações do óleo vegetal dispararam no mercado internacional depois do anúncio.

 

ÍNDIA – TRIGO
A Índia informou no último sábado que vai proibir as exportações de trigo, cultura que sofreu neste ano com a falta de chuvas e com a maior onda de calor da história do país. Os indianos previam embarcar 10 milhões de toneladas de trigo neste ano, um recorde.