Coronavírus hoje: Brasil tem 66 mil casos e Trump culpa China por pandemia

Fonte: Valor Investe (28 de abril de 2020)

Foto: Official White House


O Brasil chegou a 66.501 casos confirmados de coronavírus, de acordo com atualização do Ministério da Saúde, divulgada ontem (27). Em 24 horas foram adicionadas às estatísticas mais 4.613 pessoas infectadas, aumento de 7,5% em relação a domingo (26), quando foram registrados 61.888 mil casos confirmados.
 
Foi o segundo maior número de casos de contaminação em um dia, perdendo apenas para o sábado (24), quando foram acrescidos 5.514 casos ao balanço.
 
Já o número de mortes subiu para 4.543, com 338 novos óbitos de domingo (26) para ontem (27), um incremento de 8%. O número de novos óbitos em 24 horas ficou abaixo da quinta-feira (22), quando foram contabilizados 407. A taxa de letalidade ficou em 6,8%.
 
São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no país, concentrando o maior número de mortes (1.825). O estado é seguido pelo Rio de Janeiro (677), Pernambuco (450), Ceará (284) e Amazonas (320).
 
Também foram registradas mortes no Maranhão (125), Pará (114), Paraná (75), Bahia (76), Minas Gerais (62), Paraíba (50), Espírito Santo (57), Santa Catarina (43), Rio Grande do Norte (45), Rio Grande do Sul (42), Alagoas (34), Distrito Federal (26), Goiás (26), Amapá (26), Piauí (20), Acre (14), Sergipe (10), Mato Grosso (10), Mato Grosso do Sul (9), Rondônia (10), Roraima (4) e Tocantins (2).
 
De acordo com o Ministério da Saúde, do total de casos confirmados, 30.816 estão em acompanhamento e outros 31.142 já foram recuperados. Das mortes registradas hoje, 1.136 estão em investigação.
 
Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, argumentou que o número de mortes em 24h deve levar em consideração o fato de que essas estatísticas trazem dados de casos de dias anteriores.
 
“Esses óbitos estão sendo encerrados. Ocorreram em momentos mais distintos, em dias anteriores. Eles representam situações em que profissionais conseguiram incluir as investigações sobre a causa. Mas não quer dizer que todos os 338 [novas mortes registradas hoje] ocorreram de ontem para hoje”, pontuou Wanderson.
 
Ele informou que o ministério está discutindo com os secretários estaduais o esforço para que essa alimentação de dados seja diária, e não semanal. A iniciativa pode diminuir o descompasso entre os dados. Ele citou como exemplo a diferença entre o total no sistema do Ministério da Saúde e o dos registros em cartório. Este último tem 247 mortes a mais do que o total atualizado hoje pelo ministério.
 
Oliveira estava na equipe do antigo ocupante da cadeira de Teich, Luiz Henrique Mandetta. Sua presença na entrevista coletiva marcou a confirmação, por enquanto, da presença dele. No evento, esteve presente também o novo secretário executivo da pasta, o general Eduardo Panzello.
 
Novos dados
Hoje o Ministério da Saúde publicou também o Boletim Epidemiológico 14 sobre a pandemia, em que traz dados adicionais. Entre as novas informações disponibilizadas pelo documento estão mapas de incidência por município de casos e mortes, o que revela a alta presença da covid-19 nas capitais, em especial as do sudeste, e em estados da Região Norte, mais especificamente Amazonas e Amapá.
 
Uma das análises considerou a incidência da covid-19 por tipo de município conforme a população. O índice cresce nas cidades menos populosas para os grandes centros urbanos, com os locais com mais de um milhão de habitantes, concentrando mais da metade dos casos (27,9 mil dos 45.772 mil). O número é menor do que o atualizado hoje pelo boletim ter sido concluído com dados de dias atrás.
Durante entrevista no Palácio do Planalto, a diferença de realidade entre os municípios foi destacada pela equipe do Ministério da Saúde para reforçar a tese de que diferentes cidades do país precisam ter tratamentos distintos em relação às políticas de distanciamento social adotadas pelas autoridades.
 
“O Brasil é heterogêneo. Vamos ter medidas diferentes em diferentes locais do país. Essa heterogeneidade vai ser colocada em como vamos conduzir. Às vezes vamos ter iniciativas diferentes em regiões diferentes. A gente vai buscar conhecimento em vários lugares para tentar entender o que realmente fez diferença e mudou a história da doença”, declarou o ministro Nelson Teich.
 
Em entrevista na semana passada, o titular da pasta havia anunciado que apresentaria novas diretrizes para que secretários municipais e estaduais definissem suas estratégias de distanciamento social. Hoje Teich ponderou que ainda busca mais informações sobre a doença e as respostas adotadas, inclusive de outros países, para formular as novas métricas.
 
“Ninguém vai incentivar medidas que restrinjam a contenção sem informação adequada. Vamos buscar as decisões adequadas para isso. Estamos trazendo o IBGE para nos ajudar na melhor amostra da população a ser testada. O entendimento do percentual é fundamental para entender possíveis ondas”, acrescentou o ministro.
 
Testes
Questionados sobre a testagem da população, a equipe o Ministério da Saúde fez um balanço. A meta anunciada na semana passada é a de adquirir até 46 milhões de testes neste ano. De acordo com Wanderson de Oliveira, 5 milhões já foram recebidos. Nos próximos três meses o objetivo é conseguir 1,5 milhão da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e 5 milhões que serão doados pela empresa Vale.
 
“Teste em massa não significa testar todas as pessoas, mas testar mais pessoas sobre critérios mais precisos utilizando o melhor que cada teste pode oferecer. Todos os testes têm limitações, tempo de coleta, qualidade da amostra, qualidade dos técnicos”, comentou o secretário de Vigilância em Saúde.
De acordo com o Painel de Leitos e Insumos do Ministério da Saúde, plataforma onde é possível conferir a distribuição desses itens, até a última atualização, dia 24, haviam sido disponibilizados 3,478 milhão de kits de testes rápidos.
 
Municípios paulistas
Apesar do governo do estado de São Paulo restringir, por meio de decreto, o funcionamento de estabelecimentos comerciais nos municípios paulistas, algumas prefeituras têm publicado decretos próprios regulando as atividades comerciais nas cidades, tanto com ações mais restritivas como flexibilizando as medidas definidas pelo estado.
 
“O que temos feito é dialogar, dialogar com prefeitas e prefeitos de todas as regiões. Nosso secretário de Desenvolvimento Regional, Marco Vinhole, tem feito isso diariamente em teleconferência por regiões, consorciadamente, para informar as medidas no âmbito da saúde e da proteção social que nós temos adotado e também os recursos que são destinados para a saúde pública municipal”, disse o governador João Doria em coletiva de imprensa ontem (27).
 
Doria disse que o governo do estado vai manter a linha do diálogo com os prefeitos para que mantenham a quarentena até o dia 10 de maio.
 
Respiradores no Rio
prefeitura do Rio de Janeiro informou em comunicado que irá fretar aviões para buscar respiradores na China, que serão usados para tratamento de pacientes com covid-19. Além disso, a gestão municipal da capital fluminense informou que as medidas de isolamento social, delineadas para prevenir contágio da doença, serão mantidas na cidade, e não há prazo para término dessas ações.
 
Em nota veiculada ontem à noite, o prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella (Republicanos) informou que aguarda autorização para liberação de dois voos da empresa aérea Latam, contratados pela Prefeitura, para buscar 160 toneladas de equipamentos na China.
 
Segundo informações da prefeitura do Rio, a carga a ser transportada consiste em 300 respiradores, 400 monitores e 70 carrinhos de anestesia. De acordo com Crivella, mais 30 toneladas de aparelhos já foram embarcadas em navio para atender ao município.
 
A prefeitura informou ainda que, ontem, participou de negociações com Ministério da Saúde para receber 40 respiradores do governo federal.
 
A gestão municipal detalhou ainda que continua a tentar, por via judicial, obter outros 80 respiradores comprados em 2019 da empresa Magnamed em São Paulo, e ainda não entregues.
 
Em seu comunicado, a prefeitura frisou que, até obter mais respiradores, não há prazo para afrouxamento em medidas de afastamento social.
 
Entretanto, a prefeitura do Rio informou ontem que as feiras livres na cidade, antes suspensas, poderão voltar a funcionar, com restrições. Entre as regras, estão uso de máscara de proteção e de jaleco; a manutenção de recipientes com álcool 70% nas barracas; e o distanciamento seguro entre as estruturas.
 
Estados Unidos
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta segunda-feira que a China poderia ter interrompido o coronavírus antes de ele varrer o mundo e que seu governo estava conduzindo “investigações sérias” sobre o que aconteceu.
 
“Estamos fazendo investigações muito sérias… não estamos felizes com a China”, disse Trump em entrevista coletiva na Casa Branca. “Existem várias maneiras de responsabilizá-los.” “Acreditamos que poderia ter sido interrompido na fonte. Poderia ter sido interrompido rapidamente e não teria se espalhado por todo o mundo.”
 
As críticas de Trump são as mais recentes de seu governo sobre o tratamento que a China deu ao surto de coronavírus, que começou no fim do ano passado na cidade chinesa de Wuhan e se transformou em uma pandemia global.
 
A pandemia matou mais de 207 mil pessoas em todo o mundo, incluindo mais de 55 mil nos Estados Unidos, segundo um relatório da Reuters.
 
Na semana passada, o secretário de Estado, Mike Pompeo, disse que os Estados Unidos “acreditavam firmemente” que Pequim não relatou o surto em tempo hábil e encobriu o quão perigosa era a doença respiratória causada pelo vírus.
 
O Ministério das Relações Exteriores da China negou as acusações.
 
Trump disse também que prevê que as escolas logo recebam os alunos de volta, já que os Estados começam a “derreter o congelamento” que causam na vida cotidiana, na esperança de diminuir a pandemia global de coronavírus, mesmo que haja apenas algumas semanas de aula na maioria das escolas.
 
“Acho que você verá muitas escolas abertas, mesmo que seja por um período muito curto”, disse Trump na entrevista coletiva.
 
Questionado sobre o que sabia sobre a condição de saúde do líder norte-coreano, Kim Jong-un, Trump disse que espera que ele esteja bem, depois de dias de especulações sobre a saúde do líder norte-coreano. “Não sei dizer exatamente”, respondeu. “Não posso falar sobre isso agora. Só desejo a ele o melhor. Provavelmente em breve saberemos algo”, acrescentou.
 
Espanha
Enquanto se prepara para anunciar planos para reabrir o país após a pandemia do novo coronavírus, o governo da Espanha registrou nesta terça-feira o menor número de mortes causadas pela covid-19 em mais de 30 dias.
 
Segundo dados do Ministério da Saúde, 301 pessoas morreram no país nas últimas 24 horas, algo que não ocorria desde 22 de março. E, pela primeira vez desde o início do estado de emergência, houve queda em relação ao balanço de uma segunda-feira, que tradicionalmente apresenta números mais baixos que os demais dias por um atraso nas notificações no fim de semana.
 
Com isso, o total de vítimas da covid-19 na Espanha subiu para 23.822. Além disso, mais 1.308 pessoas foram diagnosticadas com a doença em todo o país nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, 210.773 espanhóis testaram positivo para o vírus.
 
Os números foram divulgados antes de o governo anunciar um plano para flexibilizar as medidas impostas a partir da declaração do estado de emergência no dia 13 de março.
 
O primeiro-ministro do país, Pedro Sánchez, vai detalhar a proposta hoje, após já ter flexibilizado parcialmente a quarentena adotada no país para combater o vírus, uma das mais rígidas da Europa.
 
A construção civil e parte da indústria já foram autorizados a retomar suas atividades. Nos últimos dias, Sánchez permitiu passeios com as crianças, que estavam trancadas em casa a mais de seis semanas.
 
França
O primeiro-ministro da França, Édouard Philippe, anunciou nesta terça-feira um plano para que o país flexibilize, a partir de 11 de maio, a quarentena decretada em todo o território nacional para combater o novo coronavírus.
 
Em pronunciamento na Assembleia Nacional, Philippe explicou que os planos só serão levados adiante se a França conseguir reduzir para menos de 3 mil o número de casos diários de covid-19 até a data marcada para o início do relaxamento proposto pelo governo.
 
“Vamos ter que aprender a conviver com o vírus e nos proteger dele”, disse Philippe durante o discurso. “Se os indicadores não estiverem certos, não relaxaremos o bloqueio em 11 de maio ou faremos isso com mais rigor”.
 
Até lá, a França espera ser capaz de testar 700 mil pessoas por dias, com todos os exames sendo custeados pelo governo. Philippe também afirmou que 100 milhões de máscaras cirúrgicas estão sendo importadas por dia, medida que visa atender à nova demanda pelos equipamentos de proteção após a quarentena. A cada semana, 5 milhões de máscaras serão disponibilizadas para pessoas de baixa renda.
 
Com o sistema, quando uma pessoa testar positivo para a covid-19, ela será obrigada a se autoisolar em casa ou em hotéis. Todos aqueles que tiverem tido qualquer contato com o infectado também serão examinados e também terão que cumprir quarentena caso os resultados forem positivos.
 
Como parte do plano, lojas e mercados poderão funcionar normalmente a partir da data anunciada por Philippe, mas restaurantes e bares continuarão fechados. As empresas deverão manter seus funcionários em sistemas de home office por pelo menos mais três semanas. Já as escolas terão um cronograma que permitirá a reabertura das creches e da educação primária em 11 de maio. O metrô de Paris voltará a operar com 70% da capacidade.
 
O premiê ainda disse que a quarentena foi responsável por salvar 62 mil vidas em um único mês na França, mas reconheceu que manter as restrições significaria enfrentar o risco de um colapso econômico. Apesar disso, Philippe pediu que os franceses se mantenham atentos e tomem o máximo de cuidado para evitar uma segunda onda de infecções.
 
Segundo monitoramento da Universidade Johns Hopkins, a França já registrou mais de 23 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus. Com quase 166 mil casos confirmados, o país é o quarto do mundo em pessoas diagnosticadas com a doença.
 
Hong Kong
Hong Kong anunciou nesta terça-feira que flexibilizará parcialmente os controles de fronteiras adotados para evitar a importação de casos do novo coronavírus. A decisão foi tomada após três dias sem o registro de novos infectados na cidade.
 
Segundo o jornal “South China Morning Post”, a chefe do governo local, Carrie Lam, decidiu permitir a entrada de executivos e estudantes que vinham à cidade a partir do território continental da China e de Macau. Até então, eles precisavam cumprir 14 dias de quarentena antes de circular por Hong Kong.
 
A quarentena obrigatória, contudo, segue em vigor até o dia 7 de maio para os demais viajantes que desejarem entrar em Hong Kong a partir do território chinês. Moradores de Hubei, província que foi o primeiro epicentro da pandemia, continuam proibidos de visitar a cidade.
 
A secretária de Saúde de Hong Kong, Sophia Chan Siu-chee, disse em entrevista coletiva que a flexibilização ocorre porque o governo local está satisfeito com a situação da pandemia na China. “Está mais ou menos sob controle. Claro, eles têm alguns novos casos todos os dias — não é um grande número -, mas grande parte deles é importado”, disse ela.
 
Hoje foi a quinta vez em nove dias que Hong Kong não registrou novos casos de covid-19. Com isso, o total de infectados na cidade desde o início da pandemia se manteve em 1.037. Ao menos quatro pessoas morreram após contrair o vírus.