Companhias retomam programas de estagiários e trainees
Fonte: Valor Econômico (04 de novembro de 2020)
Um levantamento realizado com 94 empresas no Brasil indica um aumento de 78% nas contratações de estagiários, trainees e recém-formados de julho a setembro, em comparação ao total de contratações nas mesmas posições em todo o segundo semestre de 2019. Esse aumento representa 1.467 posições a mais.
Os setores que estão mais aquecidos na geração de vagas para jovens talentos são agronegócio, financeiro, serviços, bens de consumo, farmacêutico e tecnologia. Os dados foram levantados pela Cia de Talentos com a plataforma de empregos Bettha e partiram da amostragem de clientes. Três fatores explicam esse aumento de demanda nessas posições, segundo Sofia Esteves, presidente do conselho do grupo Cia de Talentos.
O primeiro é reflexo direto da pandemia. “Usualmente, nós temos 40% desses processos seletivos concentrando-se no primeiro semestre e 60% no segundo. Mas, com a pandemia, as organizações precisaram readequar seus processos de seleção e contratação para ocorrer 100% no on-line. A grande maioria precisou aprender a fazer isso e, por isso, postergou o processo seletivo”, afirma Sofia, citando que, dentro da Cia de Talentos, de julho a setembro, foram “praticamente meses sem realização de programas”.
O segundo motivo, diz, é a demanda em alta e contínua de alguns setores que foram impulsionados nos últimos anos, devido ao consumo e serviços on-line. O terceiro, vem daquelas organizações que precisaram se readequar para sobreviver, para oferecer serviços em um novo formato ou conquistar um novo público. “Vários mercados sofreram muito com a crise, mas agora retomam contratações estimando o aquecimento para o futuro, pensando em inovação no negócio”.
Mesmo com a demanda em crescimento nos últimos meses, Sofia lembra que várias organizações não se recuperaram e paralisaram programas. Ela cita empresas do varejo, particularmente da indústria de moda. Do lado dos candidatos, Sofia cita uma “explosão” de inscrições. “Nos programas que nós tocamos na Cia de Talentos, tivemos processos seletivos que quase dobraram o número de inscritos. Em média, esse aumento foi de 40%”, afirma. De acordo com o IBGE, a taxa de desocupação dos jovens de 18 a 24 anos de idade chegou a (29,7%) no segundo trimestre. A maior taxa de desocupação ocorreu entre os menores de idade (42,8%).
Mas muitos jovens, na avaliação de Sofia, que até poderiam postergar a entrada no mercado de trabalho não o fizeram por conta da pandemia. Ela diz que a diversidade ganhou espaço e quem está chegando à seleção é um público mais diverso. “Há muita procura de PCDs e as mulheres representam hoje 57% do total de inscritos”, afirma. Com relação à inclusão racial, Sofia diz que os pretos e pardos hoje representam 30% dos inscritos nos programas da Cia de Talentos e que há cinco anos esse número não chegava “nem perto dos 10%”. “Além dos programas específicos e da maior demanda das empresas, há também muito estagiário nos últimos anos está chegando via Prouni ou bolsas de estudos e ações afirmativas voltadas a eles”, diz.