Companhias mais inclusivas têm receita maior no exterior
Fonte: Valor Econômico (12 de dezembro de 2019)
Companhias que declaradamente se posicionam contra a discriminação LGBT+ e promovem políticas de inclusão possuem, em média, 20 pontos percentuais a mais de receitas internacionais do que aquelas consideradas não inclusivas em seu país. Associar performance financeira a boas práticas LGBT+ foi o objetivo de um estudo global do Boston Consulting Group (BCG), obtido pelo Valor.
A consultoria analisou 96 empresas de 18 países de economias emergentes, o que incluiu o Brasil, e dividiu a amostra em três grupos. Companhias que proíbem explicitamente discriminação com base em orientação sexual ou identidade de gênero e defendem e promovem ações LGBT+ (39%); empresas que não se posicionam de forma pública contra ações discriminatórias (22% do total) e companhias que se posicionam contra a discriminação apenas de forma geral (39%). Depois, o BCG compilou o quanto cada um desses grupos gerou de receita internacional.
Foi quando a diferença dos vinte pontos percentuais surgiu, indicando a habilidade das empresas do grupo 1, consideradas inclusivas no discurso e na prática, de explorarem mercados globais e cadeias de suprimentos de forma mais efetiva.
“Encontramos uma evidência real de que as empresas que declaradamente se posicionam e agem contra a discriminação conseguem ser mais globais, geram mais receita proporcionalmente por meio de fontes internacionais. É quase como se pudéssemos dizer que as empresas pró-LGBT estão mais conectadas às cadeias de valor como um todo”, afirma Fleuri Arruda, diretor do BCG. Segundo o executivo, essas empresas em questão são vistas pelos investidores como tendo uma governança mais estruturada, um bom processo decisório e uma marca robusta.
Entre as empresas brasileiras citadas com destaque no estudo estão a Gol, por iniciativas voltadas aos viajantes dessa comunidade; a Braskem, por ser a primeira grande organização brasileira com capital aberto a entrar para o Fórum de Empresas e Direitos LGBT+ e a Natura, por promover há anos campanhas de apoio público aos direitos LGBT+ e patrocinar ações de capitação à mulheres trans em situação de vulnerabilidade social.
Internamente, como conta Milena Buosi, gerente de diversidade da Natura, há benefícios a casais homoafetivos, que incluem licença paternidade e berçário, e realização de semanas de diversidade para discutir o tema nas fábricas e escritórios. “Houve o caso de uma colaboradora que gostaria de assumir seu nome social e entendemos que não bastava mudar o crachá. Havia a necessidade de conversar com os gestores e seu colegas sobre como ela seria tratada após iniciar a transição”.
Fora do país, o estudo destacou companhias que promovem ações em contextos não amigáveis. É o caso do Alibaba, que fez uma parceria com a empresa BlueD, para pagar a viagem de dez casais do mesmo sexo à Califórnia, onde eles poderiam se casar legalmente. Os resultados do estudo indicam que o apoio público de uma organização à causas e ações LBGT+ não gera impacto negativo no crescimento da receita ou no Ebitda.