Companhias criam licença-paternidade de até seis meses

Fonte: Valor Econômico (05 de dezembro de 2019)

Guilherme Martins, diretor de reserve da Diageo, se prepara para tirar a licença de seis meses a partir de janeiro — Foto: Ana Paula Paiva/Valor


A farmacêutica francesa Sanofi anunciou nesta semana a ampliação da licença-paternidade para sua força de trabalho na América Latina, que envolve, no total, 7.900 funcionários. A partir de janeiro de 2020, os novos pais ganharão o direito de ficar em casa por até seis meses, sem desconto no salário ou necessidade de trabalhar remoto. O benefício, acessível para casais homoafetivos e válido para casos de adoção, será posicionado acima das exigências mínimas da legislação de cada país da região.
 
No Brasil, as companhias são obrigadas a conceder cinco dias de licença-paternidade. Aquelas que aderiram ao programa Empresa Cidadã, mediante a concessão de benefícios fiscais, podem prorrogar por mais quinze, totalizando vinte dias. Na Sanofi, os pais agora têm quatro opções de licença: cinco ou vinte dias, quatro ou seis meses. “A medida foi trabalhada dentro da nossa política de diversidade. Essa decisão é importante para a criação de um ambiente mais produtivo, já que os funcionários se sentem mais engajados e felizes por terem essas opções”, diz Pedro Pittella, diretor de RH da Sanofi.
 

“Vários homens terão receio de se ausentar por um longo período para não impactar a sua carreira”, diz diretor de RH da Sanofi

 
Decisões como essa também exigem planejamento. No caso da multinacional francesa, Pittella afirma que um plano de gestão foi montado para acompanhar os primeiros pais interessados na licença maior. “Vamos analisar os indicadores, ouvir quais são os temores desses funcionários e o que existe de percepção por parte dos gestores”.
 
O temor a que Pitella se refere é o que envolve, em alguns casos de forma menos explícita, o usufruto da licença em diversas organizações. “Não vamos tapar o sol com a peneira. Vários homens terão receio de se ausentar por um longo período para não impactar a sua carreira ou posição”.
 
Guilherme Martins, diretor de reserve da Diageo no Brasil, vive esse momento. O seu segundo filho vai nascer em janeiro e ele quer aproveitar a licença de seis meses oferecida pela empresa desde julho de 2019. “Passei a alimentar a expectativa de ficar mais tempo com a minha família, dividindo as responsabilidades”, diz. A expectativa é alta porque Martins lembra do período em que o seu primeiro filho nasceu, quando ficou em casa por vinte dias – a política válida à época na sua organização. “Nesse começo, o bebê praticamente só mama e dorme.
 
No segundo e terceiro mês, além de conseguir ajudar mais, também dá para descobrir mais coisas junto da criança”.